Tuberculose ressurge e assusta governo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de março de 1997
Agência Estado, de Brasília 
O governo concentrará o combate à tuberculose em 250 municípios, onde estão 75% dos 91.013 casos registrados no País. Ontem, a Fundação Nacional de Saúde (FNS) lançou o Plano Emergencial para Controle da Tuberculose, que repassará R$ 17 milhões para Estados e municípios investirem na compra de medicamentos, treinamento de pessoal e apoio aos laboratórios de diagnóstico da doença.
O Ministério da Saúde acredita que a cada ano surjam cerca de 120 mil novos casos e seis mil pessoas morram por causa da doença. Cerca de 76,5% dos casos chegam a ser descobertos, mas a meta da Fundação Nacional de Saúde é aumentar este índice para 90%, e curar pelo menos 85% das pessoas doentes.
Dos 91.013 casos registrados pelo ministério, 43.241 estão na Região Sudeste, com 18.266 em São Paulo e 16.858 no Rio de Janeiro. Os outros estão no Nordeste (28.465), Sul (8.610), Norte (6.788) e Centro-Oeste (3.909).
Até o início da década de 90 a doença vinha sendo mantida sob controle. Com o fim da campanha nacional de combate à tuberculose, determinada pelo ex-presidente Fernando Collor, e o crescimento dos casos de Aids em todo o País, no entanto, a tuberculose ressurgiu de maneira assustadora, segundo a presidente da FNS, Elisá Sá. Hoje, segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 25% dos casos estão associados à Aids.
Para tentar diminuir a alta taxa de abandono do tratamento pelo doente, o Plano Emergencial será centralizado. Hoje, 14 mil pacientes não completam o tratamento, que dura seis meses. Isso ajuda a agravar o estado de saúde, diz Elisa Sá. O doente, ao abandonar o tratamento, necessita utilizar, cada vez mais, medicamentos mais fortes e caros. O plano prevê o cadastramento de todos os doentes nas unidades estaduais e municipais de saúde, que ficarão responsáveis pelo acompanhamento do paciente.
Os serviços de saúde deixaram de ser dinâmicos, tornaram-se passivos, diz Elisa, acrescentando que as buscas aos casos deixaram de ocorrer. Antes buscavam-se os casos, hoje só são recebidos. Para acabar com isso, o governo federal vai repassar recursos para que as unidades de saúde localizem, tratem e curem os doentes. O plano abrangerá cerca de 80% dos centros de saúde nos 250 municípios priorizados pelo Ministério da Saúde.
Do Nordeste foram escolhidos 81 municípios, que correspondem a 66,5% dos casos da região. A maioria deles está na Bahia, Pernambuco e Alagoas. No Sudeste, o plano deverá atingir 42 cidades, que representam 55,7% dos casos registrados, sendo que o Estado de São Paulo apresentou o maior índice de casos por municípios. Do Norte, foram escolhidas 27 cidades, do Sul 29 e do Centro-Oeste, 27.


