Tuberculose preocupa municípios do Paraná
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quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Alguns municípios paranaenses apresentam índices de tuberculose superiores à média nacional e podem ser canais de focos de contaminação para as cidades que estão com a doença sob controle. A afirmação é do coordenador do Programa Nacional de Combate à Tuberculose da Secretaria Nacional de Vigilância em Saúde, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, Joseney Santos.
O Paraná é o quarto estado brasileiro com a menor incidência de casos de tuberculose. São 26,8 casos por 100 mil habitantes. As menores taxas estão sendo verificadas no Distrito Federal (16,7), Tocantins (17,8) e Goiás (17,8). Apesar do índice ser baixo, a situação ainda é considerada grave no Estado.
''As medidas fundamentais para que a doença realmente seja controlada no Brasil passam pela melhoria socioeconômica da população e por medidas sanitárias efetivas. A verificação precoce e o tratamento são essenciais para erradicação da tuberculose'', ponderou Santos. Ele se reuniu em Curitiba com representantes de 41 municípios prioritários no Programa Nacional de Combate à Tuberculose.
Por ano, um doente que não está em tratamento transmite a tuberculose para entre dez e 15 pessoas. ''Temos que ter em mente que a doença não está controlada e que temos que tomar todas as medidas preventivas e de tratamento dos doentes'', disse ele. Cerca de 2,8 mil pessoas adoecem por ano no Paraná e cerca de 200 morrem. No Brasil, são detectados 85 mil novos casos por ano e cerca de 6 mil brasileiros morrem por tuberculose.
''O que mais assusta é que a doença tem cura. Basta que seja tratada. Qualquer médico pode tratar o doente de tuberculose. Não é necessário especialista. O paciente tem que se tratar, no mínimo, por seis meses. Mesmo que os sintomas diminuam'', orientou.
Santos reclamou que cerca de 10% das universidades brasileiras eliminaram o ensino da tuberculose nas cadeiras de medicina. O que seria uma espécie de omissão para o combate e a erradicação da doença. ''Falta orientação e conscientização popular. Prova disto é que 12% dos pacientes abandonam o tratamento ou interrompem porque estão se sentindo melhor. O resultado é que a cura fica mais difícil porque eles continuam doentes e o organismo fica mais resistente às drogas''.
Alguns grupos têm mais riscos do que outros de adquirir a doença, que tem se tornado comum entre as populações de baixa renda. As pessoas com Aids têm 20 vezes mais chances de contrair tuberculose. As pessoas que trabalham em ambientes fechados e com pessoas tuberculosas também. Entre os que mais são acometidos por estas doenças estão as prostitutas, os presidiários, os alcoolistas e os trabalhadores da construção civil.


