Tuberculose mata 5 mil pessoas por ano
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domingo, 25 de março de 2001
Fabiane Bernardi Agência Estado De São Paulo 
Em pleno século 21, ainda se morre de tuberculose no Brasil. Doença infecciosa provocada pelo bacilo de Koch (em homenagem ao seu descobridor, o cientista Robert Koch), a tuberculose tem cura, porém continua adoecendo e matando muita gente apesar do eficiente tratamento. Ela é hoje a doença que provoca o maior número de mortes evitáveis em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Só em 1999 foram três milhões de pessoas no mundo inteiro.
Calcula-se que o número de novos casos da doença no Brasil se aproxime dos 90 mil ao ano. Já as mortes atribuídas à tuberculose somam aproximadamente 5 mil. Diante deste quadro, o País tem como meta, até o final deste ano, diagnosticar 90% dos casos e tratar com sucesso pelo menos 85%, além de expandir um conjunto de ações de controle para 100% dos municípios. A tuberculose é uma doença totalmente controlável, afirma a médica Maria Lúcia Penna, coordenadora nacional do programa de tuberculose da área técnica de pneumologia sanitária do Ministério da Saúde.
O maior número de casos de tuberculose se dá em áreas de grande concentração urbana, como os municípios de São Paulo e Rio de Janeiro. Na capital paulista, a média é de 50 casos para cada 100 mil habitantes. No Rio, esse número já chega a 100 para 100 mil. Esta doença está diretamente relacionada às condições de vida do indivíduo, como aglomeração, má habitação, nutrição, ventilação de ambientes e outros fatores que contribuem para que a doença se prolifere, explica a médica Vera Galesi, coordenadora do programa de tuberculose da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
Porém, os maiores coeficientes de incidência 200 casos por 100 mil habitantes ou mais estão localizados na Baixada Santista, que inclui as cidades de Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá, Bertioga. Essa é uma questão que se estende há anos e ainda não temos dados conclusivos para explicar o motivo que justifique o litoral ter tantos casos de tuberculose.
A doença pode apresentar variadas manifestações e localizações (pulmões, sistema nervoso, intestino, rins etc.), havendo predileção pelos pulmões como porta de entrada e sede. Ela é uma doença eventualmente contagiosa. 80% dos doentes têm tuberculose na forma clínica pulmonar, sendo que deste número 60% transmitem a doença, explica Vera.
A faixa etária mais atingida são os adultos jovens, com idade entre 20 a 49 anos, a maioria do sexo masculino. A proporção é de dois a três homens para cada uma mulher. De posse desses dados, os presídios são alvo de grande preocupação dos profissionais da saúde. São instituições fechadas, que abrigam homens nessa faixa etária, morando em más condições.
O primeiro sintoma da doença é tosse constante há mais de três semanas. Se uma pessoa apresentar esse quadro deve procurar os serviços de saúde para esclarecer se tem ou não tuberculose. Na forma mais comum, o bacilo de Koch escava um buraco no pulmão, possibilitando que o indivíduo transmita a doença pela fala, tosse e espirro.


