Brasília, 16 (AE) - O Departamento de Saúde da Fundação Nacional do Índio (Funai) suspeita que a alta incidência de tuberculose entre os índios caiapós esteja relacionada a uma epidemia de vírus linfotrópico de células T humanas, dos tipos I e II (HTLV-I e HTLV-II). Segundo o médico Oswaldo Cid, nomeado chefe do Departamento de Saúde da Funai, há vários indícios de "contaminação generalizada" dos índios por estes vírus, da mesma família mas menos letais que o HIV, que provoca a aids. A Funai pretende firmar convênios com universidades para realizar exames imunológicos mais precisos. Cid afirmou que pesquisa anterior já tinha detectado a presença dos vírus HTLV-I e HTLV-II entre os caiapós do Pará e os krahos de Tocantins. Já existe registro da presença da aids entre os índios caiapós, de acordo com o médico.
Além de todos estes indícios, "os índios caiapós são bem nutridos", disse Cid, "o que não explicaria tanta incidência de tuberculose". No final de junho, Oswaldo Cid divulgou resultado de exames em aldeias caiapós no Mato Grosso, demonstrando que 37 índios apresentaram a doença, entre 670 que tinham sido examinados. Segundo ele, é um índice considerado muito alto pelas autoridades de saúde pública. O que levou a Funai a desconfiar da presença dos vírus HTLV-I e HTLV-II entre os índios foi a análise sobre os exames dos índios com tuberculose. Cid explicou que são índios que se alimentavam bem, com dieta que inclui muita carne e legumes. "O bacilo da tuberculose se manifesta principalmente nas pessoas com alimentação precária e com problemas como o alcoolismo onde os índios caiapós não se encaixam, pois são bem alimentados e não fazem uso do álcool", disse.
Oswaldo Cid disse que pretende contactar as universidades que têm equipes especializadas e laboratórios de parasitologia, microbiologia e imunologia. As duas primeiras instituições a serem convidadas para participar de uma missão de assistência aos caiapós serão a Universidade de São Paulo (USP) e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, também de São Paulo. A missão deverá visitar as tribos caiapós em agosto. Além da epidemia dos chamados retrovírus, o médico afirmou que há suspeita de alta virulência do bacilo da tuberculose entre os índios, que estaria resistindo à vacina, que pode ser fraca para conter a doença. Mas todos os indícios, segundo ele, levam a acreditar que seja realmente contaminação pelos retrovírus.
De acordo com o chefe do Departamento de Saúde da Funai, os vírus HTLV-I e HTLV-II têm ampla distribuição geográfica. Em São Paulo, por exemplo, foi constatada a presença do vírus em 0 3% dos candidatos a doador de sangue. Ele afirmou que pretende realizar exames de saúde em todos 5 mil caiapós do Mato Grosso e sul do Pará para detectar a incidência total de tuberculose e de retrovírus. Os dois vírus fazem parte da lista de "doenças emergentes" e causam a leucemia de células T.

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