Tuberculose e Chagas ainda matam
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domingo, 18 de março de 2012
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Londrina - Enfermidades que têm tratamento - como a tuberculose, a hanseníase e a Doença de Chagas - ainda fazem um número grande de vítimas no Paraná.
A tuberculose, por exemplo, vitimou 129 pessoas em 2011 (ante 118 em 2010). A coordenadora do programa estadual de Controle da Tuberculose, Betina Gabardo, avaliou como ''elevado'' o número de mortes por conta da doença. Segundo ela, a média de óbitos no Estado foi de 1,2 para cada 100 mil habitantes. ''O planejamento é reduzir para menos de um óbito para cada 100 mil'', afirma. No ano passado foram registrados 2.356 novos casos da doença.
As mortes por tuberculose ainda ocorrem, segundo Betina, principalmente por conta do diagnóstico tardio. ''O paciente procura o serviço de emergência quando já está com uma lesão pulmonar, que pode evoluir para óbito. Se uma pessoa tem tosse há mais de duas semanas tem que procurar posto de saúde para fazer exame a fim de detectar se é tuberculose'', recomenda.
Causada por uma bactéria que afeta principalmente os pulmões, a tuberculose pode afetar também outros órgãos, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro). A vacina deve ser aplicada em crianças de até 4 anos. Além da vacina, a doença tem tratamento, o qual deve ser feito por um período mínimo de seis meses, sem interrupção.
Já a hanseníase, que também tem tratamento, matou 10 pessoas no ano passado (foram seis mortes em 2010). De acordo com a coordenadora estadual do Programa de Controle de Hanseníase, Nivera Stremel, o número atual não é alarmante. ''A cada ano são 1.100 casos novos no Paraná. É importante ressaltar que a hanseníase não mata, é uma causa indireta. Normalmente o que acontece é uma lesão renal, úlcera, que causa complicações em pacientes já fragilizados, por conta da idade ou que possuem outros comprometimentos.''
Nivera afirma que o tratamento para hanseníase varia de seis meses a um ano, conforme o estágio da doença. ''Tem cura e o atendimento é descentralizado em todos os postos de saúde do Estado'', aponta. Uma das principais formas de detectar hanseníase são manchas no corpo, insensíveis ao frio ou calor.
De acordo com a coordenadora do Programa de Controle de Chagas do Paraná, Thenis Baptista, o Paraná não registra ''oficialmente'' novos casos da doença desde 2005. No entanto, praticamente desde anos 1990 não ocorrem novos registros no Estado.
Mas, mesmo sem novos casos, a Doença de Chagas matou 176 pessoas no Paraná no ano passado. ''Essas mortes são um retrato do passado. A maioria são pessoas de idade que pegaram a doença na fase endêmica no Paraná, até os anos 90, ou em outros Estados'', explica.
A Doença de Chagas é uma infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida pelo inseto conhecido como barbeiro. A maioria das mortes é causada por complicações cardíacas.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 2 milhões de brasileiros são portadores do Mal de Chagas. Cerca de 60% não apresentam manifestação clínica da doença, e o restante apresenta complicações cardíacas ou digestivas. O Paraná e outros 18 Estados são considerados regiões de risco para transmissão da doença.



