TUBERCULOSE - Tratamento abandonado traz risco à saúde
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sábado, 17 de novembro de 2012
Lucio Flávio Cruz <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - A tuberculose é uma doença grave, mas que tem cura. E o melhor, o tratamento está disponível na rede pública de saúde. Porém, o abandono da medicação antes da cura completa pode trazer problemas ao paciente e à saúde pública, já que ajuda a aumentar a resistência do bacilo causador da enfermidade.
Londrina registrou este ano 107 casos de tuberculose. Uma pessoa morreu vítima da doença e outras seis perderam a vida por conta de outras enfermidades. Em 2011 foram 156 casos, com nove mortes (quatro por tuberculose e cinco por outras doenças.
A transmissão da tuberculose ocorre pelo ar. ''Se a pessoa estiver conversando com outra que tem tuberculose separadas por até um metro de distância é possível ser contaminada. Se a pessoa tossir, essa distância passa para até dois metros'', explica a coordenadora do Programa Municipal do Controle à Tuberculose da Secretária de Saúde, Regina Cortez. A contaminação depende também da quantidade de bacilo e da imunidade da pessoa que pode ser infectada.
Os principais sintomas são tosse persistente por mais de três semanas, emagrecimento significativo com a perda de até 10% do peso, febre, dores musculares e sudorese noturna.
O problema é que muitos pacientes abandonam a medicação quando os sintomas diminuem. ''O tratamento dura em média seis meses e quando não é feito até o final a doença volta mais forte'', acrescenta Regina. O abandono da medicação pode levar o paciente a desenvolver bactérias multirresistentes. Em muitos casos, nesta situação, a tuberculose não pode mais ser curada.
Quando o tratamento é interrompido pela metade, os antibióticos utilizados na primeira fase do tratamento já não fazem mais efeito sobre as bactérias, que se ''fortalecem''. É necessário então o uso de drogas mais fortes, o que torna o tratamento mais longo, difícil e caro. ''Já temos muitos casos de bactérias multirresistentes no Brasil e em outros lugares do mundo que não tem mais tratamento. A pessoa simplesmente não vai conseguir mais se curar'', relata a coordenadora.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o Paraná foi o Estado que mais conseguiu encerrar os casos de tuberculose no Brasil em 2011, com uma eficiência de 95%. A incidência da doença passou de 29 casos por 100 mil habitantes em 2004 para 22,4 no ano passado.
''O paciente que não faz o tratamento até o final corre o risco de morrer. Além disso, ele vai precisar de antibióticos mais fortes. Nestes casos, o tratamento fica entre 400 e 700 vezes mais caro'', explica o pneumologista Guilherme Fazolo.
A vacina contra a tuberculose, a BCG, está disponível nas unidades básicas de saúde (UBS) e pode ser aplicada em dose única em recém-nascidos.
O padre Edivan Pedro dos Santos, assessor da Pastoral Carcerária, reconhece que a tuberculose é uma das doenças mais comuns entre os detentos, em virtude do ambiente insalubre das cadeias, da superlotação e da falta de atendimento médico.
''Nossa grande dificuldade é isolar o doente, o que nos distritos é impossível. Para isso temos que transferir o preso para a PEL (Penitenciária Estadual de Londrina) ou Casa de Custódia ou então levá-lo para um hospital com escolta. Aí deparamos com outro problema, que é a falta de efetivo'', lamenta.
Muitos pacientes com tuberculose têm históricos de consumo de álcool e outras drogas. Estes vícios atrapalham a recuperação total da pessoa. ''O paciente abandona a medicação para poder voltar a beber e a usar droga. Falta informação e consciência'', aponta Guilherme Fazolo.
De acordo com cálculos de orgãos mundiais ligados à saúde, 1% da população mundial sofrem de problemas respiratórios, como asma e bronquite. Deste total, 4% têm tuberculose. Segundo Regina Cortez, levando em conta este percentual, Londrina teria que identificar cerca de 250 casos da doença por ano. ''Ou estamos diagnosticando pouco ou as pessoas que possuem algum sintoma não estão procurando ajuda médica.''
No ano passado, o Paraná registrou 2.359 casos de tuberculose, 129 mortes provocadas pela doença e 263 óbitos de pessoas contaminadas que morreram por outras causas. Foram identificados ainda 22 casos de tuberculose multirresistente.



