Brasília, 15 (AE) - O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Wagner Pimenta, disse hoje que a Justiça do Trabalho vai examinar de forma isenta eventuais pedidos de indexação salarial independentemente da campanha promovida pelo presidente do Congresso Nacional, Antonio Carlos Magalhães, para acabar com o TST. "Retaliação não é procedimento de magistrado
que tem de julgar com isenção e dar-se por impedido", disse Pimenta. O presidente do TST afirmou que "não faz retaliação quem decide de acordo com as leis que aplica" e frisou que "as leis são feitas no Congresso Nacional".
Pimenta atribuiu a legislação antiquada como razão principal da sobrecarga de processos nos tribunais trabalhistas. "A melhor maneira de contribuir para o aprimoramento do Judiciário Trabalhista é, portanto, dar tramitação célere e eficiente aos projetos que se encontram no Congresso Nacional - alguns já há muito tempo -, ou propor outros, visando à eficiência, celeridade e economia", cobrou Pimenta.
Numa referência a ACM, que afirmou ter recebido diversas manifestações favoráveis à idéia de acabar com a Justiça do Trabalho, o presidente do TST disse que "já chegaram centenas de mensagens de apoio ao Judiciário Trabalhista e contra os ataques indiscriminados que vem recebendo". Pimenta afirmou que todas as facções tem adeptos. "Hitler e o pastor Jim Jones também tiveram. E daí?", questionou o presidente do TST.
O futuro presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Velloso, mostrou-se contrário na sexta-feira à extinção das Justiças do Trabalho e Militar, defendidas por ACM. Mas Velloso se disse favorável ao fim da categoria dos juízes classistas, à redução do número de tribunais regionais do Trabalho (TRTs) e à diminuição do número de integrantes do Superior Tribunal Militar (STM). Velloso assume a presidência do STF em maio, quando termina o mandato de dois anos do atual presidente, Celso de Mello.

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