Brasília, 27 (AE) - O Tribunal Superior do Trablho (TST)
não realizará sessões de julgamento na próxima terça-feira, por decisão de seu presidente, ministro Wagner Pimenta, que convocou todos os ministros para uma sessão plenária às 14 horas daquele dia. Nesta sessão, o TST vai manifestar solidariedade ao ex-presidente do tribunal Ermes Pedro Pedrassani, que pediu aposentadoria antecipada na última quinta-feira, "por não ver perspectiva de uma reforma do Poder Judiciário" e, também, "pelo tratamento que vem sendo dispensado à magistratura".
A manifestação do TST foi precedida de decisão tomada na última sexta-feira pelos juízes federais de paralisar suas atividades por um dia, no próximo dia 17. Os principais motivos da insatisfação que vem ganhando corpo no Judiciário são a indefinição dos presidentes dos Três Poderes quanto à fixação do teto salarial do funcionalismo público federal - cujo aumento beneficiaria os juízes, cujos vencimentos são atrelados aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal - , críticas aos gastos exagerados do Judiciário e cortes em seus orçamentos.
Denúncia - Segundo informou hoje a Assessoria de Comunicação Social do TST, o presidente do tribunal, ministro Wagner Pimenta, enviou também ofício aos presidentes dos 24 Tribunais Regionais do Trabalho, informando-os de sua decisão de cancelar as sessões de terça-feira e lhes sugerindo que debatam a questão do Judiciário com os demais juízes e dêem à imprensa "os esclarecimentos que se fizerem necessários para denunciar o tratamento que vem sendo dispensado à Magistratura e à atividade judiciária".
"Faz-se necessária a arregimentação de todos os magistrados trabalhistas, a fim de que tomemos, em todas as partes do País, posição enérgica em face dos problemas da Magistratura e do tratamento injusto que ela vem recebendo", afirma o presidente do TST no expediente enviado aos TRTs.
Segundo informou a assessoria de tribunal, o TST só realiza sessões plenárias, com a presença de todos os ministros, em ocasiões especiais, em geral para dar posse a ministros ou dirigentes da corte ou para homenagear ex-ministros. Os julgamentos são feitos pelas suas cinco turmas, pelos órgãos especializados em dissídios individuais e coletivos e pelo àrgão Especial, seu principal órgão decisório.
O ex-ministro Ermes Pedro Pedrassani, que era decano do TST, era, conforme a assessoria do tribunal, "um dos ministros mais respeitados da casa, pela argumentação lógica e clara com que defendia seus votos". Ele chegou ao TST em 1988, nomeado pelo ex-presidente José Sarney, depois de ter sido presidente do TRT do Rio Grande do Sul, seu Estado natal. Além de presidente do TST, foi também vice-presidente do mesmo tribunal e corregedor-geral da Justiça do Trabalho.

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