TRT considera greve não abusiva e metroviários voltam ao trabalho
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Luciana Garbin e José Gonçalves Neto 
São Paulo, 09 (AE) - Por 8 votos a 1, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) considerou não-abusiva a greve que paralisou hoje o Metrô de São Paulo. O TRT exigiu o retorno dos funcionários ao trabalho até as 22 horas de hoje, sob pena de multa diária de R$ 100 mil, a ser cobrada do Sindicato dos Metroviários. Com a decisão favorável do tribunal, a categoria antecipou o retorno ao trabalho para as 21 horas, encerrando a paralisação, que prejudicou 2,3 milhões de pessoas.
O TRT determinou ao Metrô que pague até o dia 20 uma antecipação de R$ 500,00, a título de participação nos lucros. E garantiu aos funcionários o direito à estabilidade no emprego por 60 dias e o de receber as horas não-trabalhadas hoje.
Ainda com relação à participação nos lucros, deverá ser formada uma comissão de representantes dos trabalhadores e do Metrô para estudar a questão, cujo trabalho deve estar concluído no prazo de 60 dias. Os R$ 500,00 pagos até o dia 20 serão descontados do valor definido na negociação.
Surpresa - A greve pegou de surpresa milhares de passageiros do metrô. Muita gente ficou sabendo apenas hoje da paralisação, decretada ontem (09) à noite, ao encontrar as estações fechadas e avisos nas portas. Para elas, o jeito foi enfrentar ônibus superlotados ou apelar para os lotações a fim de chegar ao trabalho.
Trânsito - Aproveitando a situação, alguns perueiros chegavam a pedir R$ 5,00 por uma corrida normal. Desde a manhã, o trânsito também esteve complicado na cidade. Às 7 horas, havia congestionamentos na Radial Leste, Marginal do Tietê, no Corredor Norte-Sul e em outras vias importantes. Às 8h30, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrava 90 quilômetros de engarrafamentos.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo Aparecido José da Silva, de 95% a 97% dos funcionários aderiram ao movimento. "Tivemos praticamente adesão total; estão trabalhando apenas cinco supervisores em esquema mínimo de revezamento e quatro pessoas fazendo a segurança patrimonial", afirma.
Orelhões - Perto dos orelhões das estações de Metrô, formavam-se filas de empregados querendo avisar os patrões de que se atrasariam. Em volta das bancas de jornais, a cena repetia-se, com pessoas lendo notícias sobre a greve. Muitos trabalhadores tiveram de faltar ao emprego por causa da greve. "Já avisei no serviço que hoje (ontem) não tem como ir", queixava-se o mecânico João Yamamoto, de 48 anos. "Se saio daqui de Itaquera (zona leste) para a Saúde (zona sul), vou demorar horas e depois não há como retornar."


