Salvador, 27 (AE) - O presidente do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia, Annibal Maia Sampaio, que está deixando o cargo no próximo dia 5, nomeou 66 juízes classistas para Salvador e 14 municípios do interior do Estado. Cada juiz ganha salários de R$ 3,5 mil e somente com esse grupo o Judiciário vai gastar por mês R$ 231 mil.
Como o classista só pode ser reeleito uma vez, Sampaio conseguiu burlar a lei nomeando os juizes para postos diferentes a cada mandato (que dura três anos): em um o classista atuava como represente dos patrões, num outro dos empregados, num terceiro entrava como titular, depois como suplente.
Graças a esse expediente, dos 66 que participam desse "trem da alegria", vinte foram reconduzidos mais de duas vezes. O recordista é Anísio Gonçalves Viana, que com a nova nomeação do amigo Sampaio, ocupará o posto de juiz classista pela sexta vez.
A denuncia do caso foi feita pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, com sede em Brasília. O dirigente da entidade, Gustavo Tadeu Alkimin, exibiu o Diario Oficial da Justiça do dia 19 de outubro onde foram publicadas as nomeações. Ele lembrou que depois que o posto de classista começou a ser questionado, há mais de um ano não ocorria no Brasil nenhuma nova nomeação do tipo. Alkimin pediu providências à Procuradoria da República requrendo a anulação das nomeações. O presidente do TRT baiano está viajando, segundo sua assessoria. A vice do TRT, juiza Conceição Martinelli, não quis comentar o caso alegando estar numa audiência.

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