Trote violento é desaprovado
Trote violento é desaprovado
Katia Baggio
De Londrina
Especial para Folha
Uma conversa entre os candidatos que prestaram vestibular na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e compareceram ontem na Concha Acústica revelou que a maioria não aceita mais a idéia dos trotes violentos e obrigatórios.
O assunto se transformou em projeto de lei, aprovado em segunda votação na Câmara dos Vereadores na última terça-feira. O prefeito Antonio Belinati (PFL) deve sancionar o projeto ainda hoje. Depois de sancionado, já vale para os próximos vestibulares a serem realizados em Londrina.
O projeto de lei define trote violento como qualquer manifestação estudantil que, para recepcionar calouros, utilize brincadeiras violentas com agressões físicas. A partir da sanção, essa forma de manifestação não será permitida em locais públicos da cidade. Além do projeto de lei, o Conselho Universitário da UEL introduziu mudanças na resolução que proíbe o trote violento no câmpus universitário (leia no caderno Folha Vestibular).
Calouro em administração de empresas, Eduardo Song acha que o trote não pode machucar ninguém e cada um deveria saber o limite entre brincadeira e agressão. Como ele garantiu que raspar o cabelo e pintar a careca são permitidos, ganhou um corte de cabelo e foi alvo de alguns ovos.
Rafael Stobbe ainda não conquistou uma vaga em Medicina, mas engrossou a opinião dos entrevistados que rejeitam os trotes desagradáveis e perigosos. Não é preciso festejar a entrada na universidade com violência.
A futura advogada Maria Luiza Matheus argumenta que muitos veteranos não medem a violência que investem contra os calouros. Acho que alguns descontam o que fizeram com eles quando foram aprovados e perdem a medida, diz.





