Rio, 28 (AE) - O trote organizado por alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) terminou em confusão e pancadaria, hoje de manhã, envolvendo cerca de 150 calouros e veteranos, de acordo com testemunhas. Socos, pontapés e cadeiradas deixaram feridos - sem gravidade - pelo menos seis alunos da Faculdade de Administração e Finanças (Fafi).
Após o confronto entre estudantes dos dois cursos - que cultivam uma rivalidade já tradicional na Uerj -, o chão do hall do 8º andar, onde fica a Fafi, estava completamente coberto por uma mistura de ovos e farinha. A segurança da universidade, que não se manifestou durante a confusão, apreendeu, após o término da briga, duas bombas de fumaça utilizadas pelos alunos de Engenharia. Antes do início do trote eles dispararam morteiros do lado de fora do campus.
Quinze alunos apresentaram-se à Reitoria como testemunhas para a comissão interna de sindicância que será aberta para apurar o caso. Caso sejam identificados, os responsáveis pela briga poderão ser expulsos da universidade.
Violência - "A Uerj não pode chegar ao ponto em que chegou a USP (Universidade de São Paulo)", declarou o reitor Antônio Celso Pereira, referindo-se à morte do calouro da Faculdade de Medicina da USP, Edison Hsueh, em 22 de fevereiro. "A violência do trote de Engenharia aumenta a cada ano, e precisamos acabar com isso para não permitir que aconteça uma tragédia", disse o reitor, aparentando estar muito nervoso. Pereira esteve reunido com alunos da Fafi para discutir o incidente e pediu desculpas pela "falha que ocorreu na segurança da universidade". O supervisor de segurança do campus
Luiz Monteiro, disse, porém, que "não viu agressão".
Os alunos da Fafi acusam o diretor de Centro Acadêmico (CA) de Engenharia, Márcio Musse - que foi candidato a deputado estadual pelo PSTU no ano passado -, de liderar a confusão. Com uma marca de sola de sapato nas costas, Bernardo Monteiro, de 18 anos, do 1º período de Ciências Contábeis, afirmou que os alunos de Engenharia fizeram o trote em seus calouros e, depois, por volta de 10h30, foram para o 8º andar com a intenção de brigar. "Eles chegaram dando porrada, jogando cadeira e ovos", afirmou.
Musse admitiu a "guerra de ovos", mas negou que tenha havido agressão física. "Nosso trote sempre foi de mobilização política, por isso percorremos toda a universidade divulgando nossas idéias, mas quando chegamos no oitavo andar fomos barrados por eles e começou a confusão", alegou o diretor do CA. "Há uns cinco anos era muito pior, tinha porrada mesmo, tipo saída do Maracanã."
Falta de mulher - "Esse ano eles pegaram pesado", comentou Luiz Neves, do 3º período de Administração. Para ele, o motivo da briga é a "falta de mulher" no curso de Engenharia. "A única diversão deles é a agressão." Carla Vasconcellos, de Direito, disse que nunca viu nada igual nos cinco anos em que está na Uerj. "Foi uma praça de guerra", resumiu o diretor do Instituto de Economia, Marcos Machado. Marcelo Martins, da Economia, levou uma cadeirada no braço e um ovo na cara.
Apesar da violência, a Uerj não pretende proibir o trote
como fez ontem a USP. "Não somos contra o trote, e sim contra o trote violento", disse o reitor. Alegando autonomia, ele não quis notificar o caso à Polícia Civil. "A universidade tem sua forma de agir e vai punir os responsáveis dentro da lei." O relatório da comissão de sindicância deverá estar pronto em 20 dias.

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