Trote deixa feridos na UERJ enquanto alunos mantêm site defendendo trote
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio de Janeiro, 29 (AE) - Os alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que na manhã de terça-feira promoveram trote violento, mantêm um site na Internet no qual defendem o trote como forma de dar "boas vindas a um novo mundo bem mais amplo e também de integrar o calouro à faculdade". Seis alunos ficaram feridos e salas da universidade foram distruídas durante o trote realizado ontem (28).
Nas fotos divulgadas no site, dezenas de calouros com os corpos pintados se arrastam no chão ou são cobertos por gramas. "Infelizmente o nome da instituição acaba nessa lama", queixou-se o chefe de gabinete da reitoria, André Lázaro. "Nas fotos, os veteranos submetem os calouros a barbaridades humilhantes".
A universidade tomou conhecimento do site (www.geocities.com/augusta/5840) apenas hoje, mas as fotos publicadas são do primeiro semestre de 1998. "Os trotes violentos da engenharia são históricos", reconheceu Lázaro.
Uma comissão instaurada para apurar o caso, formada pelo professor de Direito Penal, Sérgio do Rego Macedo, e seus colegas Ubiratan Iório e Nilton Pereira de Assis, tem 30 dias para encontrar os culpados pelos atos de vandalismo.
"Fala-se em expulsão, mas quem vai decidir é a comissão", afirmou Lázaro. "Acho que a comissão vai ser rápida, porque há uma lista grande de alunos que se ofereceram para depor e eles já indicaram culpados."
Um calouro de engenharia, que foi submetido ao trote, entregou hoje uma carta ao sub-reitor de Graduação da universidade, Paulo Fábio Salgueiro.
"Mandaram-me pular no chão e rolar. Mesmo encontrando-me em recuperação de uma operação de varizes, realizada há um mês, rolei pela primeira vez. Recusei-me a rolar pela segunda vez, sendo então chutado no lugar da operação por uma aluna veterana. (...) Quero ressaltar que, antes do trote, dirigi-me ao responsável e disse-lhe que estava operado (em recuperação), não sendo liberado", escreveu o aluno. A carta foi encaminhada ao reitor Antônio Celso Pereira.
O reitor estuda ainda a punição de alunos da Faculdade de Engenharia, que desobedeceram a ordem de suspender uma festa na noite de ontem. A festa foi proibida por causa dos atos violentos que haviam ocorrido pela manhã.


