Tropeiros têm estrutura para sem-terra
Maigue Gueths
O Parque dos Tropeiros, onde o governo do Estado quer instalar as mulheres, crianças e idosos sem-terra que estão acampados em frente ao Palácio Iguaçu, tem uma boa estrutura para atender a todos os acampados, em local fechado e com chuveiros elétricos. O problema é que o parque fica tão longe do centro de Curitiba e do Palácio Iguaçu que inviabilizaria qualquer possibilidade dos sem-terra fazerem manifestações e protestos que não fossem marcados com antecedência.
O Parque dos Tropeiros fica na Cidade Industrial de Curitiba, entre os conjuntos Diadema e Caioá. São 18 quilômetros do Palácio Iguaçu, ou 35 minutos de carro, em dia de pouco movimento. Para vir do parque até o Centro Cívico, os sem-terra teriam de pegar o ônibus Marisa até o Terminal da Fazendinha, e lá pegar o Ligeirinho ou o Fazendinha. Um trajeto que dura entre 40 minutos a uma hora, dependendo do trânsito.
Acampados em frente ao Palácio Iguaçu, os sem-terra têm, ainda, a vantagem de estar próximos das sedes dos órgãos públicos e de serviços, como hospitais, farmácias e mercados. Mas há também perto do parque estrutura para atendimento à saúde: o Hospital Santa Izabel, na Vila Nossa Senhora da Luz, fica a dois quilômetros e o Posto de Saúde do terminal Fazendinha está a três.
O parque fica numa área de cerca de dez alqueires, com várias construções: um teatro, coberto, mas sem paredes; churrasqueira fechada; uma casa grande onde funciona o Piá Ambiental nos dias de semana e há bailes para a comunidade nos sábados, além de outras construções abertas. Os sem-terra poderiam ficar na churrasqueira ou na casa grande, diz o funcionário Ivo Martins Pires, pastor de ovelhas do parque. São dois locais totalmente fechados onde cabem mais de mil pessoas, segundo ele. Os sem-terra já se instalaram, em outra ocasião, no parque. Deu tudo certo, sem problemas, conta Ivo. Ali eles teriam a disposição quatro banheiros, com 24 chuveiros elétricos.
Depois da morte do bebê Gabriel Kais, na quarta-feira, o governador Jaime Lerner voltou a insistir que as mulheres, crianças e idosos se mudem para o parque. O MST não aceita esta solução e quer que a Prefeitura Municipal de Curitiba instale chuveiros elétricos no acampamento do centro Cívico. A Prefeitura, por sua vez, diz que não vai instalá-los. O acampamento tem 120 crianças menores de 12 anos e 50 idosos com mais de 70 anos.





