Tropas russas tomam cidade-chave chechena
Urus-Martan, 08 (AE-AP) - As tropas russas assumiram nesta quarta-feira (08) o controle da cidade de Urus-Martan, situada a apenas 20 quilômetros da capital da república separatista da Chechênia, Grozny.
A conquista de Urus-Martan, segundo principal bastião das forças chechenas, era considerada fundamental na estratégia de isolar Grozny e empurrar os rebeldes fundamentalistas islâmicos para a região montanhosa do sul do território.
A cidade só caiu após duros combates, impondo a maior resistência às tropas russas desde o início da ofensiva militar em setembro. Apenas cerca de mil dos cerca de 30.000 moradores continuavam em Urus-Martan.
O alto comando checheno anunciou na manhã de hoje que estava abandonando a cidade diante do avanço do Exército, mas a emissora de tevê russa NTV assinalou que ainda há grupos entrincheirados em algumas áreas.
Os militantes refugiaram-se nas montanhas ao redor, de onde devem iniciar uma guerra de guerrilhas contra os russos. Ambas as partes se acusaram de ter empregado armas químicas na luta.
Altos oficiais militares russos informaram que hoje realizaram um número recorde de missões aéreas num só dia desde o início da ofensiva no território checheno, em setembro: 150 ataques.
Caça-bombardeiros Su-25 e bombarderios Su-24 efetuaram 90 missões sobre Grozny, Urus-Martan, Vedeno e Shali e o desfiladeiro do Rio Argun, enquanto helicópteros de assalto realizaram outras 60 operações.
A intensidade dos bombardeios seria um prenúncio da guerra devastadora que os russos prometeram desencadear contra Grozny a partir de sábado. Nesse dia expira o prazo do ultimato dado pelo comando das tropas no Cáucaso para que os moradores civis remanescentes deixem a cidade caso contrário serão considerados "terroristas e aniquilados".
O texto explicava que os moradores deveriam sair por um corredor aberto a oeste, na direção de Piervomaiskaya. Poucos moradores usaram essa saída hoje, pois as tropas russas têm disparado contra automóveis que consideram suspeitos de levar militares.
A advertência, expressa em folhetos jogados pela aviação sobre a cidade, foi atenuada pelo alto comando militar russo, que negou ter feito a ameaça de "partir ou morrer". "Este é um aviso para os bandidos. Uma semana de graça foi dada a eles", disse general Viktor Kasantsev, comandante-chefe das forças russas no Cáucaso.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse à imprensa que não ouviu falar de "nenhum ultimato à população". Esse recuo foi atribuído à intensificação da pressão internacional contra a Rússia, mas, de qualquer modo, os militares não retiraram a ameaça de atacar com força total no sábado.
Hoje, o Serviço Federal de Migrações da Rússia informou à agência Itar-Tass que desde o início da guerra 256.000 chechenos buscaram refugio nas vizinhas repúblicas russas da Ingushétia, Daguestão e Ossétia do Norte, bem como no território de Stavropol. Há ainda outros milhares de deslocados dentro da própria Chechênia.
Em Grozny, por exemplo, onde havia cerca de 360.000 pessoas, restam entre 30.000 e 50.000, a maioria abrigada em porões para proteger-se dos ataques da artilharia e da aviação russas.





