Moscou, 05 (AE-ANSA) - As forças russas ocuparam um terço do território da Chechênia em sua tentativa de criar uma "faixa de segurança" contra guerrilheiros islâmicos, anunciou hoje (05) o primeiro-ministro Vladimir Putin, para o qual a operação militar "está longe de ser completada", apesar do que fora anunciado ontem em Moscou.
Em vista do agravamento da situação, o presidente da Chechênia
Aslan Maskhadov, que até agora não quis ordenar a suas tropas para enfrentarem o Exército russo numa última tentativa de resolver a crise através do diálogo, decretou lei marcial a partir da meia noite de hoje.
Maskhadov também propôs ao chefes dos clãs chechenos a declaração da "guerra santa."
Segundo Moscou, seus soldados controlam 30 localidades ao norte do rio Terek - onde as unidades russas querem estabelecer o limite da "faixa de segurança" -, enquanto a aviação russa continua bombardeando no norte da Chechênia posições ao longo do rio.
Fontes militares chechenas informaram que tropas avançadas russas chegaram esta manhã a regiões do Terek, que em alguns pontos está distante apenas 25 km da capital chechena de Grozny.
Entretanto, as fontes não precisaram quais zonas foram ocupadas nem a que distância as tropas estão de Grozny.
Por seu lado, o chefe das forças federais em Daguestão, Gennady Troshev, voltou a falar de "combates esporádicos" já que seus homens não entram em localidades onde ainda hoje se encontravam guerrilheiros islâmicos.
Apenas nas povoações que, depois de se retirar o grosso das forças rebeldes, ficaram isolados pequenos grupos de combatentes é que teriam ocorrido os enfrentamentos "esporádicos".
Moscou admitiu que quatro de seus soldados morreram e outros 22 ficaram feridos desde o início da ofensiva terrestre na última sexta-feira. A informação contrasta profundamente com alegações de fontes chechenas que garantem terem matado 100 militares russos até a segunda-feira, e mais 40 hoje, durante a recuperação de quatro localidades pelos rebeldes.
Também, o Exército russo reconheceu a perda de dois aviões de reconhecimento nos últimos dois dias na Chechênia: um Sukhoi-25, que no domingo não regressou à sua base, e um Sukhoi-24, desaparecido na segunda-feira enquanto buscava o primeiro.
Em relação ao Sukhoi-25, fontes chechenas informaram que um de seus tripulantes morreu quando o aparelho caiu, enquanto que o outro conseguiu saltar de pára-quedas e foi resgatado por seus companheiros, notícia que foi negada pelos russos.
O Serviço de Segurança Federal (FSB) denunciou que os guerrilheiros contam com mísseis antiaéreos Stringer.
Segundo o FSB, o líder guerrilheiro Shamil Basayev tentou em agosto comprar dos talebans do Afeganistão um número considerável desses mísseis de fabricação americana, mas apenas obteve quatro para testá-los.
Os serviços de segurança têm provas de que Basayev está esperando atualmente um carregamento de mísseis Stringer.
Putin, enquanto isto, as operações continuarão "até a aniquilação total dos terroristas" e que "a questão do futuro status da Chechênia será portanto objeto de negociações".
Em relação aos mais de 100 mil refugiados que fugiram dos bombardeios russos e que se encontram na república vizinha da Ingushétia, Moscou pretende abrigá-los na regiões do norte da Chechênia que ocupou.
O governo russo pretende instaurar nessas povoações um poder local independente do regime de Grozny.
De imediato, Moscou restituiu o fornecimento de gás e eletricidade a cerca de 30 localidades sob seu controle e restabeleceu o pagamento de aposentadorias a seus habitantes.

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