Tropas russas chegam a Pristina
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Candice Hughes 
Pristina, 11 (AE-AP) - Um comboio de soldados russos chegou a Pristina, capital de Kosovo, na madrugada de sábado (12, pelo horário local), sendo recebida por uma multidão entusiasmada, enquanto Moscou aparentemente desafiava um entendimento com a Otan de não entrar sozinho na província sérvia.
No entanto, o ministro russo de Relações Exteriores Igor Ivanov considerou "infeliz" a movimentação de seu próprio exército em Pristina e disse que os soldados foram ordenados a deixar a cidade.
"A aparição dos militares russos em Pristina infelizmente aconteceu", disse Ivanov à rede de televisão CNN. "Os motivos disto estão sendo determinados. Eles foram ordenados a deixar Kosovo imediatamente e esperar novas ordens."
Em Washington, a Casa Branca se disse surpresa pela entrada das tropas russas em Pristina horas depois de receber garantias de que as forças da Otan seriam as primeiras a chegar.
"Os russos nos garantiram que não pretendiam deslocar tropas em Kosovo" antes dos efetivos de paz da Otan, disse o porta-voz da Casa Branca Joe Lockhart, enquanto a televisão transmitia imagens de tanques russos pelas ruas de Pristina.
Fontes militares da aliança ocidental disseram que as primeiras forças de manutenção de paz da Otan entrarão em Kosovo entre as 4h e 5h da manhã locais de sábado para substituir as tropas sérvias que deixam a província.
Em Moscou, negociadores russos e norte-americanos trabalhavam ao longo da madrugada para obter um acordo de interação entre a Rússia e a Otan.
Houve gritaria e fogos enquanto milhares de sérvios, que consideram a Rússia aliada, se amontoavam na principal rua da cidade para festejar a chegada dos soldados, que estavam em caminhões e veículos de transporte de tropas.
Eles chegaram à capital kosovar enquanto soldados da Grã-Bretanha e da França esperavam na Macedônia, na fronteira sul de Kosovo, para entrar como parte de uma força de manutenção de paz autorizada pelas Nações Unidas.
O comboio entrou em uma avenida lotada de pessoas, muitas delas com a bandeira iugoslava e gritando "Rússia! Rússia!". No centro da cidade, ouvia-se o barulho de buzinas e tiros disparados para o ar. Estava incerto para onde os russos se dirigiam. Havia rumores de que eles iam rumo ao aeroporto da cidade, mas não havia confirmação.
Também não estava claro quantos russos estavam no comboio, mas estimativas preliminares davam conta de 200 ou 300. Os soldados, originalmente, parte do contingente russo estacionado na vizinha Bósnia onde dividiam tarefas de manutenção de paz com outros países em uma força comandada pela Otan, cruzaram para a Sérvia nesta sexta-feira e dirigiram-se ao sul, rumo a Kosovo.
A agência de notícias iugoslava Tanjug informou que o comboio era composto por 10 carros blindados e 30 tanques. Enquanto passava em frente ao Grand Hotel, no centro da capital kosovar, algumas pessoas subiram nos veículos, em meio ao som de tiros disparados para o ar. Em seguida, o comboio seguiu a oeste, em direção a Kosovo Polje, cidade de maioria sérvia na periferia de Pristina.
Mais cedo, a agência de notícias Interfax, citando fontes não identificadas, divulgou que cerca de 1.000 russos partiriam na tarde desta sexta-feira e voariam rumo a cidades kosovares, incluindo a capital Pristina. As unidades russas já estavam em bases aéreas e esperavam ordens para partir, disse uma fonte à Interfax.
O Ministério da Defesa da Rússia informou depois que nenhum soldado russo deixara o país para ir a Kosovo. Citando fontes não identificadas do alto escalão militar russo, a agência de notícias ITAR-Tass, divulgou que os planos da Rússia de ir hoje a Kosovo foram abortados depois de o vice-presidente norte-americano Al Gore e a secretária de Estado Madeleine Albright telefonarem ao ministro de Exterior russo Igor Ivanov para alertar contra o movimento.
Em reportagem despachada de Belgrado, a ITAR-Tass informou mais tarde que a decisão de ir a Pristina foi tomada pelo Ministério da Defesa russo, em consulta com os militares iugoslavos.
Os que gostaram da chegada expressaram alívio com a chegada dos russos. "Eles são nossos amigos", disse Desa Dikic, de 60 anos, uma aposentada da indústria têxtil. "Eles não nos bombardeiam."
O sérvio Miroslav Dancetovic, de 18 anos, disse: "É importante que os russos venham antes. Eles estão do nosso lado, enquanto a Otan apóia abertamente o lado albanês."
Albright foi claramente pega de surpresa pelos movimentos russos, expressando perplexidade depois de desembarcar na Macedônia ao saber das notícias de que as tropas russas rumavam para Kosovo.
O porta-voz de Albright, James Rubin, disse que a secretária havia telefonado para Ivanov depois de ser informada pelo tenente-general britânico Michael Jackson, comandante das tropas da Otan na Macedônia. Ela também ordenou que o subsecretário da Estado Strobe Talbott, que acabara de sair de Moscou a caminho da Bélgica, desse meia-volta em pleno vôo e retornasse imediatamente a Moscou.
Talbott havia estado em Moscou discutindo delicados arranjos para a participação de até 10.000 russos na força de paz - a Rússia, o maior aliado dos sérvios, não aceita colocar suas tropas sob um comando unificado da Otan, como exige a aliança.
Tentando minimizar as tensões, um oficial da Otan que pediu para não ser identificado disse que a aliança tinha tido "uma reação tranquila, muito calma" em relação aos desdobramentos de hoje. A Otan também anunciou que uma força "substancial" estaria em Kosovo até a tarde de amanhã - as tropas britânicas entrando a partir da Macedônia pelo centro, tendo em seu flanco oriental tropas francesas e no ocidental tropas alemãs vindas da Albânia.


