Dez dias depois do início da greve dos policiais civis e militares, tropas do Exército começaram a ocupar ontem à tarde as ruas do centro de Salvador para tentar controlar a onda de saques, violência, arrastões e assaltos que tomou conta da capital baiana. Mas até a noite de ontem, até por falta de soldados, a missão não tinha dado certo.
Em seu primeiro dia de patrulhamento, o Exército colocou nas ruas apenas 300 dos cerca de 2.000 homens que pretende utilizar na operação, e todos de tropas baianas. Com fuzis e metralhadoras, os soldados do Exército ocuparam pontos estratégicos apenas no centro da cidade -hotéis, lojas, restaurantes e pontos turísticos. A periferia não foi patrulhada.
Normalmente, deveria haver cerca de 2.100 policiais militares patrulhando as ruas da cidade.
Por medidas de segurança, a 6ª Região Militar não informou o número de soldados que vai fazer o patrulhamento em Salvador. Foram chamados homens do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Sergipe, Bahia e Paraíba.
Ontem à noite, pela primeira vez desde o início desta semana, o governador César Borges (PFL) recebeu uma comissão de deputados estaduais e federais para negociar. Até a conclusão desta edição, o governador mantinha a proposta de conceder um reajuste imediato de 14%.
Os grevistas reivindicam piso salarial de R$ 1.200, a reintegração de 68 militares e a libertação de dois líderes do movimento, que estão presos há 11 dias sob a acusação de insubordinação.
De acordo com a 6ª. Região Militar, todos os bairros de Salvador terão a partir de hoje a presença de homens do Exército.
Em outras cidades, algumas tropas chegaram durante a tarde. Houve registros de saques e violência também no interior, mas em menor escala. (Agência Folha)

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