'Tropas da PM foram programadas para o massacre'
Tropas da PM
foram programadas
para o massacre
As tropas da Polícia Militar que entraram em conflito com os sem-terra em Eldorado dos Carajás já chegaram ao local com uma estratégia programada para o massacre. Esta conclusão faz parte do relatório que o médico-legista Nelson Massini apresentou na época para o presidente Fernando Henrique Cardoso e para o então ministro da Justiça Nelson Jobim. Parte deste relatório foi mostrada também na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Federal.
Massini fundamenta sua denúncia no trabalho de reconstituição das cenas do conflito, que realizou em Eldorado dos Carajás nos dias seguintes ao massacre. As tropas chegaram em uma formação em quadrado. Elas cercaram os sem-terra por trás, pela frente e pelos lados e não deixaram nenhuma alternativa de fuga. Não se usa este tipo de formação quando se quer apenas dissolver uma manifestação ou desbloquear uma estrada, como era o caso, comenta.
A formação utilizada pela Polícia Militar para atacar os sem-terra explica, segundo Massini, a natureza das lesões encontradas nos corpos dos 19 mortos. De acordo com ele, os policiais não podiam disparar tiros de metralhadora e nem tiros de fuzil diretamente contra os manifestantes, pois corriam o risco de atingir seus companheiros que estavam na direção oposta. Os tiros de metralhadora foram disparados para o chão, ricochetearam e atingiram vários manifestantes nas pernas, conta. Os únicos ferimentos a bala encontrados em policiais também foram provocados pelo ricocheteio dos disparos da metralhadora de seus companheiros.
Todos os sem-terra mortos foram executados com armas pequenas de diferentes calibres, principalmente 38 e 9mm, disparados à queima-roupa ou de muito perto. Os sem-terra foram cercados, dominados, muitos tiveram suas próprias armas arrancadas. Depois, foram executados a curta distância com tiros de armas pequenas. Quer dizer, foram mortos quando já estavam fora de combate. (P.S.M.)





