Tropa de choque sempre foi fiel e não decepcionou Pitta
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de abril de 2000
Por Maurício Moraes 
São Paulo, 17 (AE) - As articulações dos vereadores Brasil Vita (PPB), Wadih Mutran (PPB) e Miguel Colasuonno (PMDB) para barrar o processo de impeachment na Câmara resultam de uma longa afinidade com o governo Celso Pitta (PTN). Os três parlamentares nunca decepcionaram o Executivo. Além de sempre terem ajudado a aprovar projetos de interesse da Prefeitura, também bloquearam várias Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).
Assim como Pitta, a "tropa de choque" do prefeito foi acusada de estar envolvida em irregularidades e de participar da administração municipal. Há anos o vereador Brasil Vita - o mais antigo da Câmara - detém o controle da Administração Regional (AR) do Butantã, na zona oeste de São Paulo. No ano passado, descobriu-se que sua cunhada, Ana Carlota Amaral Vita, seu irmão
Mário Régis Vita, e seu sobrinho, Marcelo, trabalhavam na Anhembi Turismo e Eventos.
O irmão do parlamentar, Fiore Vita, era funcionário da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) até o ano passado. Brasil Vita ocupa o cargo de líder do governo desde abril de 1998, quando doze vereadores se rebelaram contra o prefeito, exigindo maior espaço político. O impasse foi resolvido logo depois. Vita votou contra o impeachment e a prorrogação da CPI dos Fiscais, em maio. Ele fez o que pôde na semana passada para impedir que o relatório da OAB-SP fosse levado à votação no plenário.
Vita contou com a ajuda de Wadih Mutran. Articulador de manobras históricas para salvar o governo, o vereador controla a AR-Vila Guilherme/Vila Maria. Em 1998, usando uma brecha no regimento da Câmara, conseguiu assumir a presidência da CPI da Educação e decretou seu fim. Também votou contra a CPI dos Fiscais e o impeachment. No ano passado, o vereador cassado Vicente Viscome denunciou-o como participante de esquema de corrupção no Serviço Funerário da Vila Maria. O parlamentar indicou seu sobrinho para trabalhar na Anhembi e controlou o módulo 7 do Plano de Atendimento à Saúde (PAS).
Um dos vereadores que mais se esforçaram para a criação do sistema foi Miguel Colasuonno. Ele chegou a controlar 6 dos 14 módulos do PAS. Depois, reduziu a sua influência a dois. Ex-prefeito biônico de São Paulo, Colasuonno recebeu doações de grandes empreiteiras - entre elas a Cavo e a CBPO - na última eleição. Votou contra o impeachment e a CPI dos Fiscais. Há algumas semanas, a vereadora Myryam Athie (PMDB) acusou-o de indicar uma funcionária da Cohab.
Brasil Vita nega que esteja comandando as articulações para salvar Pitta. "Quem disse isso mentiu", afirmou. "Não existe tropa de choque." Ele negou que tenha algum tipo de influência na administração municipal. Procurados pela reportagem, Mutran e Colasuonno não responderam até o fechamento da edição.


