Tropa de Choque atira em familiares de menores da Febem
disse. O auxiliar de topografia Francisco Barbosa da Silva viu na hora do almoço as cenas da rebelião pela televisão e resolveu ver como estavam a mulher e o filho, interno. "Fiquei olhando o caminhão encostado", contou. "O cara olhou para mim e atirou na barriga." Silva foi atendido no próprio local por uma ambulância da empresa Ecovias, que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes. A mesma ambulância já levara a mãe de um interno para o hospital
em crise nervosa. Antes dos tiros, boa parte delas havia entrado na fundação para o bem-estar e presenciado agressões dos monitores aos menores. "Tinha um menor caído no chão e seis monitores chutando sua cabeça", descreveu Dolores de Almeira Pereira Vasconcelos, mãe de um rapaz de 18 anos, detido no local. "O sangue escorria pelo chão." Versões - Ao longo da tarde, não houve versões oficiais do que ocorreu entre a noite de ontem e a tarde dos disparos. Quem passou algumas informações, a pedido do diretor da Febem, foi o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Menor, visitou o local e confirmou as denúncias dos familiares. O comandante da Tropa de Choque, coronel Osvaldo de Barros Júnior, chegou quase uma hora depois do tiroteio. A versão que seus subordinados lhe deram foi a de que a população teria tentado resgatar os internos que estavam no caminhão. "Se houve abuso será apurado e tomaremos as medidas administrativas cabíveis para aqueles que fizeram uso da arma", disse. Apesar das denúncias de que seus subordinados tinham cometido abuso de autoridade, ele disse que ninguém seria retirado da operação, que ainda continuava. "Essa é a tropa que temos", disse. Outra versão que passaram ao comandante foi a de que os cinegrafistas teriam tentado "filmar dentro do caminhão". "Vou ver as imagens amanhã." Sem luz - Minutos após a guerra entre fuzis e tijolos, mães e pais aguardavam informações no portão. Perfilados a cerca de 50 metros, os soldados da Tropa de Choque olhavam a cena. Alguns estavam sérios. Boa parte ria. No início da noite, continuava a espera dos familiares dos detidos. Apesar da promessa de visitas ao longo da semana, eles continuaram no local. Ao anoitecer, as dificuldades aumentaram. Os postes destinados à iluminação pública, no entorno da Febem-Imigrantes, não ofereciam luz.Por Alceu Luís Castilho São Paulo, 12 (AE) - Em nenhum momento a Tropa de Choque da Polícia Militar atirou para o alto, hoje, na Unidade Imigrantes da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), em São Paulo. Para reagir às ofensas dos familiares que aguardavam havia horas informações sobre os filhos, após a fuga de 500 internos na noite de ontem (11) e na manhã de hoje, os policiais apontaram as armas para baixo e fizeram o que haviam prometido minutos antes: atiraram. Não para dispersar, mas balas de borracha, para ferir. Conseguiram. Por causa do tiroteio contra familiares e jornalistas, pelo menos sete pessoas foram parar no hospital. A Febem não divulgou o número de menores feridos. A informação oficial foi a de que não havia nenhum "ferido grave". Segundo os parentes dos internos, vários deles estavam sendo atendidos no local. De cima do caminhão que transportava dezenas de menores recapturados, amontoados na boléia, acertaram ombros, barrigas, pernas e costas de quem estava em volta. Repórter e fotógrafo do Grupo Estado também estavam na mira do fogo: escaparam. Dois cinegrafistas que registravam as cenas foram atingidos e atendidos nos hospitais da região. A estudante Roberta Gimenez, de 14 anos, recebeu um tiro na perna e foi atendida no Hospital Municipal Doutor Artur Ribeiro de Sabóia, no Jabaquara. Tijos - Minutos antes do primeiro tiro, um dos policiais da Tropa de Choque provocava os familiares, enquanto o caminhão fazia manobras para entrar na Febem. "Vem aqui, vem aqui", gritava, apontando a parte mais próxima do caminhão, anunciando a disposição em atirar. Apesar de ninguém chegar perto, alguém deu uma ordem. "Atira!" Após os primeiros disparos, a população reagiu com pedras e tijolos; em troca, recebeu mais balas de borracha. Um dos tijolos atingiu um repórter. A maior parte dos familiares estava na fila, à espera de uma visita que acabou não ocorrendo. Eles seguiam orientação da Febem. "Nem vi ele atirando", contou Kelly Cristina, que aguardava notícias sobre o irmão e levou um tiro no braço. A dona de casa Cristian Barbosa de Brito tomava um leite com chocolate durante a confusão e recebeu uma bala nas costas. "Quando fui me virar para ver o que estava acontecendo, levei"





