Tropa da PM de MG começa a desmontar aparato de manobras
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terça-feira, 12 de outubro de 1999
Por Ivana Moreira 
Capitólio, MG, 13 (AE) - A tropa da Polícia Militar de Minas Gerais começou a desmontar hoje o aparato das manobras militares na região da Hidrelétrica de Furnas. A operação ordenada pelo governador Itamar Franco (PMDB) teve iníico na segunda-feira (11) e será encerrado na manhã de amanhã (14).
Durante três dias, 2.500 homens participaram do treinamento. Foram desmontados os estandes como os de tiro e o de munição química. Amanhã, não haverá mais treinamento militar nem ações de fiscalização nas estradas da região. Os policiais participarão da solenidade de encerramento e assisitirão a encenação da explosão de um casebre de madeirit. A apresentação, sob respondabilidade do Batalhão de Missões Especiais, foi preparada para ser realizada no dique de retenção da represa de Furnas, no dia da visita de Itamar. Depois que ele anunciou a intenção de não participar das manobras, o comando da operação cancelou a encenação na barragem e transferiu a explosão para o terreno onde está montado o acampamento.
O rompimento do dique que impede a passagem das águas do Rio Grande para o Rio São Francisco foi uma das ameaças do governador mineiro nos discursos contra a venda da estatal controlada pelo governo federal. "Tecnicamente, romper o dique traria muito mais prejuízo do que a própria privatização", argumentou hoje o prefeito de Formiga, Eduardo Brás Neto (PSDB). "Não acredito que o governador chegue a esse ponto."
Formiga é um dos municípios banhados pela represa de Furnas. O prefeito esteve hoje no acampamento da PM para prestar "solidariedade" à tropa. Brás Neto disse que a polêmica criada por Itamar foi importante para pôr a venda da hidrelétrica em discussão, mas discorda dos métodos sugeridos por Itamar - a explosão do dique e o uso de armas.
Além de prefeitos e políticos da região, o acampamento da PM em Capitólio, onde está centralizado o comando das manobras, recebeu pela primeira vez a visita do comandante-geral da corporação, coronel Mauro Lúcio Gontijo. Ele chegou no fim da tarde e sobrevoou o terreno do acampamento, uma área com cerca de 4 quilômetrios de raio à beira da Rodovia MG-050, nas proximidades da represa. Até as 18h30, o coronel não havia retornado ao acampamento para conceder entrevista à imprensa, conforme havia sido divulgado.
No acampamento de Capitólio, policiais militares ainda tinham hoje esperanças de que pelo menos o vice-governador Newton Cardoso (PMDB) comparecesse ao encerramento das atividades. Depois de ter obrigado os PMs realizar as manobras em Furnas - contrariando muitos oficiais -, Itamar frustrou a tropa, ao cancelar a visita.


