Tronco usado para sacrificar escravos é localizado no Rio
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Adriana Ferreira 
Eio, 26 (AE) - Esquecido durante anos em um terreno baldio na Pavuna, zona norte do Rio, um tronco onde eram sacrificados escravos foi redescoberto por um estudante. Neste último fim de semana, um grupo composto por arqueólogos, historiadores, antropólogo e funcionários da Prefeitura do Rio foram até o local para fazer uma sondagem e comprovar a autenticidade do tronco. Ficaram maravilhados: pelo menos em todo o Estado do Rio não se tem notícia de uma peça tão completa e conservada.
Morador da Pavuna deste de 1987, Marcos Davi Duarte da Cunha, de 23 anos, se interessou pela história do bairro e começou a procurar dados sobre a formação do lugar. Em contato com um grupo de pessoas da região encarregado de levantar a memória dos bairros, Cunha conseguiu fotos e algum material escrito, embora não tenha descoberto quem era o proprietário das terras. "Eu estava interessado em saber a função da Fazenda Nossa Senhora da Conceição no período colonial", disse.
Por meio das indicações de moradores antigos da Pavuna, o estudante soube da existência de um tronco de madeira, que serviria para castigar os escravos da Nossa Senhora da Conceição que, no século 18, produzia café. Seguindo as pistas, Cunha, que quer ser historiador, encontrou a preciosa peça. "Dizem que o tronco chegou servir como ponto de jogo do bicho há alguns anos", revela o estudante, que chegou a conhecer o velho casarão, demolido no final da década de 80. Embora tenha descoberto o tronco há cerca de um ano, somente na quinta-feira o Departamento Geral do Patrimônio Cultural (DGPC) da Secretaria Municipal de Cultura foi acionado. Na sexta-feira os técnicos do DGPC foram até o local. Durante todo o domingo, fizeram a sondagem. Arqueóloga do DGPC, Eliana Teixeira de Carvalho, participou da investigação e se confessa ainda espantada com o que viu. "Esperávamos encontrar um toco de madeira deteriorado, apodrecido e achamos algo em perfeito estado, como eu nunca vi"
afirmou. O tronco está fincado em uma estrutura de argamassa que tem em sua base um pequeno retângulo que, acreditam os arqueólogos, deveria servir como pequeno reservatório do sangue que escorria das feridas dos escravos além de urina e fezes. No alto da madeira há ainda uma grande argola de ferro, por onde, provavelmente, passavam as correntes ou cordas que prendiam as mãos dos escravos. Mas, segundo Eliana Teixeira, tudo terá que ser confirmado. "Esta descoberta está trazendo novos elementos que temos que estudar", diz.
Nem Eliana e tampouco o arrqueólogo e professor de História Ondemar Dias sabem da existência de uma peça como esta em todo o Brasil. Agora, o sítio arqueológico, que fica em uma área de cerca de 500 metros quadrados, será escavado para que o entorno seja pesquisado. Há suspeita de que haja um cemitério de escravos perto dali.


