Trocar diretoria ficou mais fácil, avalia CPI
Brasília, DF - Parlamentares das CPIs que investigam a crise aérea no Congresso avaliam que a renúncia de Denise Abreu, diretora da Anac, abre caminho para o governo trocar toda a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil.
Considerada arrogante, Denise foi o principal alvo dos parlamentares e se tornou uma espécie de escudo para os demais diretores, que agora ficarão mais expostos.
A situação dela estava insustentável do ponto de vista político, ela acabaria saindo de qualquer jeito. Mas o processo não parou. A partir de agora as atenções ficam voltadas para o conjunto. Isso [a renúncia] é combustível, disse o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A oposição tem a mesma opinião. Abriu a porteira e logo toda diretoria irá cair junto, disse o deputado Vic Pires (DEM-PA).
O fato de ter afirmado na nota em que comunicou sua decisão que iria procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi interpretado pelos deputados como um recado velado ao Palácio do Planalto para que não a abandone. O presidente não vai se prestar ao papel de recebê-la, disse Pires.
Um dos congressistas mais próximos de Denise, o deputado Cândido Vaccareza (PT-SP) afirmou que a renúncia foi precipitada. Ela não agüentou a pressão e renunciou. Não gosto de medidas tomadas no calor da crise, têm que ter cabeça fria. Ela agiu no impulso, disse.
A reportagem apurou que as recentes declarações do ministro Nelson Jobim (Defesa) teriam influenciado a decisão de Denise. Nos últimos dois dias, Jobim deixou claro sua disposição de afastá-la por causa da falsa norma apresentada à Justiça de São Paulo para evitar restrições a determinados aviões na pista de Congonhas.





