Troca-troca envolve 35 mudanças de partido
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 03 (AE) - A dança de cadeiras na Câmara envolveu 35 trocas de partidos, dois dias após a posse no Congresso. Nesse movimento, o partido que perdeu mais membros até agora foi o PSDB.
Nesses primeiros dias de nova legislatura, o saldo tucano contabiliza um deputado mudando-se para o PFL e outros quatro para o PMDB. Em contrapartida, o PMDB foi o que mais ganhou, acrescentando 14 membros à bancada de 82 deputados tirada das urnas.
Segundo a Secretaria-Geral da Mesa, até o fim da tarde de hoje, as bancadas estavam assim compostas: PMDB 96 deputados; PFL, 112 parlamentares - continua sendo a maior bancada; PSDB, 93; PT, 60; PPB, 52; PTB, 28, e PDT, 24. Mas a movimentação dos políticos continuou acontecendo, registrando até mesmo casos de trocas duplas. O deputado carioca João Mendes, por exemplo, deixou o PMDB e foi para o PPB hoje. No mesmo dia, entretanto, reviu a decisão e voltou para o PMDB.
O troca-troca entre os partidos foi justificada com as mais diversas explicações dos deputados mas, burocraticamente, não há nenhuma dificuldade em formalizar tal mudança. O esforço do parlamentar para mudar de partido é mínimo: precisa apenas enviar um ofício à Secretaria-Geral da Mesa, oficializando a transferência e comunicar ao partido abandonado que está saindo. Essas facilidades contudo, poderão ser eliminadas se for aprovada - dentro da reforma política- a emenda constitucional que institui a fidelidade partidária, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e pronta para ir ao plenário. O artigo 5º é claro: "Perderá automaticamente o mandato o membro do Poder Legislativo que deixar o partido sob cuja legenda foi eleito."
"Sou a favor da fidelidade partidária, mas, enquanto não existe a lei, não há porque continuar num partido onde você não se sente seguro", justificou o deputado paranaense Airton Roveda, que migrou do PDT para o PFL hoje. Segundo ele, a razão para a mudança de sigla é que o suplente, do mesmo partido, "queria seu lugar". De acordo com Roveda, a transfer$ncia não é radical - da esquerda para a base governista.
"Acho que o Brasil tem de ser passado a limpo e as reformas são urgentes, mas não significa que tenha virado totalmente governista", contou. Esse é o terceiro partido da carreira do parlamentar.
O deputado mineiro Hélio Costa trocou o PFL pelo PMDB. Segundo ele, antes da eleição - em outubro - o presidente nacionao do PFL e senador, Jorge Bornhausen (SC), sabia que ele iria fazer a troca, se eleito. "Deixei claro que sairia por conta de uma traição do partido em Minas, que descartou minha candidatura ao Senado e me deixou com uma campanha para a Câmara a apenas 40 dias das eleições", explicou.
Costa começou a carreira política no PMDB, foi para o PRN do ex-presidente Fernando Collor de Mello e, depois, fundou o PP em Minas Gerais. "Considero isso uma volta para as origens e para dar total apoio ao governo peemedebista de Itamar Franco", afirmou Costa, que afirma ser favorável à fidelidade partidária. "Mas a ética do parlamentar em não mudar de partido tem de valer para o partido, de manter suas decisões de convenção." O Prona perdeu para outro pequeno partido, o PST, o único parlamentar eleito nessa legislatura, o deputado paulista De Velasco, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd).
Segundo ele, o presidente nacional do partido, Enéas Carneiro, entendeu a mudança de sigla. "Isso vai significar mais espaço político para idéias que defendo junto com o presidente Enéas", contou.
O deputado é agora o presidente do partido em São Paulo e o quinto membro da bancada na Câmara. Velasco se diz contra a fidelidade partidária. "Já fui candidato a deputado estadual pelo PRN e fui maltratado; quando ganhei a eleição, o partido se aproximou cheio de promessas; por isso, não dá para confiar", explicou.


