Troca-troca de partidos envolve 35 deputados
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 02 (AE) - O número de deputados estreantes na dança das cadeiras na Câmara dobrou, em dois dias depois da posse: somam 35 deputados trocando as legendas pelas quais se elegeram por outras.
O partido que perdeu mais membros foi o do governo, o PSDB, com um deputado indo para o PFL e quatro para o PMDB. Do lado da acolhida, o PMDB foi o que mais lucrou: 14 novos membros.
O troca-troca de partido provoca as mais diversas explicações dos deputados mas, burocraticamente, não há nenhuma dificuldade em formalizar a mudança. O único trabalho que um parlamentar precisa ter para mudar de partido é enviar um ofício à secretaria da Mesa Diretora da Câmar, além de comunicar o partido abandonado.
A proposta de emenda constitucional (PEC) de fidelidade partidária aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ddo Senado está pronta para ser enviada ao plenário. O artigo 5° é claro: "Perderá automaticamente o mandato o membro do Poder Legislativo que deixar o partido sob cuja legenda foi eleito."
"Sou a favor da fidelidade partidária, mas, enquanto não existe a lei, não há porque continuar num partido onde você não se sente seguro", justificou o deputado paranaense Airton Roveda, que migrou do PDT para o PFL hoje. Segundo ele, a razão para a mudança de sigla é que o suplente, do mesmo partido, "queria seu lugar".
De acordo com Roveda, a mudança não é radical - da esquerda para a base governista. "Acho que o Brasil tem de ser passado a limpo e as reformas são urgentes, mas não significa que tenha virado totalmente governista", contou. Esse é o terceiro partido da carreira do parlamentar.
O deputado mineiro Hélio Costa trocou o PFL para o PMDB. De acordo com o deputado, desde antes da eleição, o presidente do partido nacional do PFLe senador, Jorge Bornhausen (SC), sabia que ele iria fazer a troca se eleito. "Deixei claro que sairia por conta de uma traição do partido em Minas, que descartou minha candidatura ao Senado e me deixaram com uma campanha para a Câmara a apenas 40 dias das eleições", explicou.
Costa começou a carreira política no PMDB, foi para o PRN do ex-presidente Fernando Collor de Mello e, depois, fundou o PP mineiro.
"Considero isso uma volta para as origens e para dar total apoio ao governo pemedebista de Itamar Franco", afirmou. O deputado afirma ser favorável à fidelidade partidária. "Mas a ética do parlamentar em não mudar de partido tem de valer para o partido, de manter suas decisões de convenção." O Prona perdeu para outro pequeno partido, o PST, o único parlamentar eleito nessa legislatura, o deputado paulista De Velasco, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd).
Segundo ele, o presidente nacional do partido, Enéas Carneiro, entendeu a mudança de sigla. "Isso vai significar mais espaço político para idéias que defendo junto com o presidente Enéas", contou.
O deputado é agora o presidente do partido em São Paulo e o quinto membro da bancada na Câmara. De Velasco se diz contra a fidelidade partidária. "Já fui candidato a deputado estadual pelo PRN e fui maltratado; quando ganhei a eleição, o partido aproximou-se cheio de promessas; por isso, não dá para confiar"
explicou.


