Troca de secretário irrita aliados de Itamar
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segunda-feira, 17 de maio de 1999
Por Ivana Moreira 
Brasília, 18 (AE) - A troca do secretário da Fazenda de Minas pode significar uma aproximação do governo estadual com a política econômica do Planalto na avaliação de aliados esquerdistas do governador Itamar Franco (PMDB). Irritados com o que chamam de "retrocesso", políticos do PT, partido que apóia o governo, já falam na possibilidade de ruptura. "A troca é uma manobra do vice-governador (Newton Cardoso) para aproximar do governo federal", afirma o vice-presidente da Assembléia, deputado Durval ¶ngelo (PT).
Principal coordenador da moratória mineira, o ex-secretário Alexandre Dupeyrat foi substituído ontem (17) pelo ex-presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais José Augusto Trópia Reis. Segundo fontes do governo, Dupeyrat não domina a área econômica e foi responsável pelo agravamento da situação do caixa do Estado, ao endossar a guerra política de Itamar com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ao contrário de Dupeyrat, que encabeçou a defesa da moratória, o novo secretário sempre teve resistência à proposta. Na avaliação dos petistas, não será nenhuma surpresa se o Trópia Reis anunciar o fim da moratória dentro de alguns dias. "O Newton quer reaproximação para conseguir a liberação de verbas federais", argumentou Durval ¶ngelo, lembrando que o novo secretário já trabalhou em empresas do vice-governador. O petista aposta ainda que o novo secretário adotará uma política mais complacente com os empresários do que seu antecessor, acusado de ser intransigente na fiscalização da sonegação.
A provável substituição também dos subsecretários da Fazenda
Fabrício Oliveira e Antônio Luiz Bernardes, é outro motivo de irritação para os petistas.
Trópia Reis havia sido o primeiro nome cotado para a Secretaria da Fazenda, mas foi preterido justamente por não concordar com indicação dos subsecretários pelo PT e pelo Pc do B por causa do acordo político fechado durante a campanha. O novo secretário da Fazenda de Minas evitou entrar em detalhes. Em entrevista à imprensa, disse que "em princípio" não haverá mudanças. Segundo ele, a prioridade é reduzir despesas e melhorar a arrecadação do Estado para zerar o déficit, hoje estimado em R$ 90 milhões.
De acordo com declarações de Itamar Franco, o ex-secretário Dupeyrat - que foi ministro da Justiça quando ele estava na presidência da República - continuará participando do governo como uma espécie de consultor especial.


