Campinas, SP, 01 (AE) -A Polícia de Campinas abriu inquérito hoje (01) para apurar a troca de medicamentos que teria provocado a morte de uma paciente internada no hospital álvaro Ribeiro, em Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo. A dona de casa Juraci Maria da Silva Carvalho, de 37 anos, morreu ontem (31) de parada respiratória após receber um medicamento diferente do recomendado pelo médico. O diretor clínico do hospital, Wilson Gerônimo, admitiu que houve erro do funcionário responsável pela farmácia do hospital.
Juraci havia sido submetida a uma curetagem no dia 26 de janeiro após ter abortado - ela estava grávida de três meses. Depois da operação, o marido da paciente, Edinarti de Carvalho, foi informado que tudo correra bem e Juraci deveria receber alta no mesmo dia. A troca de remédios, porém, teria alterado o quadro da paciente, levada para a Unidade de Tratamento Intensivo.
O médico que fez a curetagem, Jyorgy Laslo, receitou o medicamento Methergin, usado para contrair a musculatura, mas a paciente acabou recebendo uma dose de Pavulon, que provocou parada respiratória e falta de oxigenação no cérebro. Uma acompanhante da paciente disse que a enfermeira encarregada de ministrar o medicamento chegou a contestar a farmacêutica, dizendo que aquele não era o remédio receitado pelo médico.
A paciente foi transferida para a UTI do Centrocor, apresentando perda de consciência, diminuição do ritmo cardíaco e insuficiência respiratória. Segundo o diretor clínico da unidade, Maurício Goldbaun, no relatório da enfermagem constava que Juraci havia recebido medicação diferente da indicada pelo médico. A dona de casa morreu na madrugada do dia 31, depois de apresentar complicações neurológicas.
"Houve um erro do nosso serviço de farmácia", disse o diretor clínico. Segundo ele, a técnica responsável pelo setor deveria substituir o Methergin por um outro similar, mas acabou trocando o medicamento por um de efeito contrário. "Se não for dispensada, a funcionária deverá ter alguma punição", afirmou. "Em relação à família da paciente, tudo que a Justiça indicar será feito", disse.

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