São Paulo, 17 (AE) - Em meio à confusão de opiniões sobre a indexação, começam a surgir propostas para que os salários não se transformem nos vilões da desestabilização da moeda. A troca de reajustes por abonos ganhou força entre os empregados e a simpatia do vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Almir Pazzianotto.
Entre os empresários, prevalece a idéia de trocar benefícios por salários para não aumentar custos e evitar a necessidade de repasse do reajuste para os preços. A alternativa de pagar abonos ou participação nos resultados (ambos isentos de encargos sociais) também não é malvista pelo empresariado. Por todos os lados há acenos de outro tipo de negociação: trocar reajustes por metas de crescimento do emprego.
Os 460 mil bancários do País, mais de 90% dos quais filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), já lançaram a campanha pela recomposição de seus ganhos e aceitam uma parte (pequena, ressaltam) das perdas da inflação transformadas em abono. Mas só até a data-base, em setembro. Então, todas as perdas deverão ser incorporadas, na forma de índice, para não perpetuar o prejuízo. Já o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, muito pressionado pela ameaça de demissões, acha prematura a discussão sobre indexação, antes que a inflação atinja um índice acumulado de 10%.
A CUT tomou decisão diferente: quer reajuste de 10% para todos os salários em maio (independentemente da inflação acumulada, que deverá estar em torno de 7%, segundo analistas), e gatilho sempre que o custo de vida alcançar 5%.
Na Força Sindical, a decisão é outra. Abono, mesmo que parcial, para eles, está fora da negociação. Trabalhadores aceitarão ser a única âncora do real só até o limite de 10% de inflação - para os metalúrgicos, a estimativa é chegar em maio ou junho com perdas equivalentes a esse índice.
Acima de 10%, diz o presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, não serão necessárias leis ou sentenças de tribunais: os empregados formais vão buscar a recomposição de seus salários, ainda que a ameaça de desemprego esteja cada vez mais presente. "O desemprego tenderá a aumentar ainda mais se os salários ficarem deprimidos", afirma Paulinho. "Nesse caso, o consumo vai cair e, em vez de discutirmos espiral inflacionária, em breve estaremos falando de espiral recessiva." Os motoristas de ônibus, metroviários e eletricitários, com data-base entre maio e junho, querem indexar os salários à inflação e prometem acabar na Justiça se a negociação direta não for bem sucedida.

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