Troca de papéis reduz dívida externa e alonga prazo
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quinta-feira, 23 de março de 2000
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 24 (AE) - A dívida externa brasileira cairá US$ 20,2 milhões e será alongada em 14,7 anos com a operação de troca de papéis que o governo fez na última quarta-feira. Na primeira oferta de títulos privada feita pelo Brasil, foram trocados cinco tipos de bradies, que são papéis antigos da dívida, por bônus novos. Segundo explicou hoje o chefe do Departamento de Dívida Externa e Relações Internacionais (Derin) do Banco Central, José Linaldo Aguiar, numa operação simultânea, o País emitiu os papéis novos e trocou pelos velhos.
Escolhidos para realizar a operação, o banco Morgan Stanley Dean Witter e a corretora Merril Lynch ofereceram a troca a somente dez investidores internacionais que tinham bradies brasileiros. Toda a operação será concluída no próximo dia 29, quando esses investidores receberão os títulos novos e entregarão bradies ao governo brasileiro.
Em vez de fazer uma nova emissão, o governo optou por fazer a troca a partir da reabertura do bônus global de 30 anos que foi lançado em 24 de fevereiro passado.
Na troca, o governo ofertou US$ 600 milhões e receberá um total de US$ 705 milhões em bradies. Esta diferença de US$ 105 milhões representa uma redução no principal da dívida. Mas o ganho do governo brasileiro fica em US$ 20,2 milhões por causa da diferença nos custos dos papéis antigos e os novos. Dos sete tipos de bradies que foram negociados pelo atual ministro da Fazenda, Pedro Malan, em 1994, cinco estavam na troca. Foram eles o Elegible Interest (EI), que é o bônus de juros, e os bônus de desconto, ao par, o Debt Convertion Bond (bonus de conversão) além do Front Loaded Interest Reduction Bond (bônus de redução). Ficaram fora, portanto, o C-Bond, que é o mais líquido de todos, e New Money Bond (bônus de dinheiro novo).
Três dos cinco bônus trocados têm garantias depositadas no Banco para Compensações Internacionais (BIS). A troca permitirá a liberação de US$ 126,9 milhões destas garantias que, segundo Aguiar, deverão ser agregadas às reservas internacionais brasileiras no início de abril. Ele esclareceu que a liberação não significa um ganho para o Brasil porque é um dinheiro que já pertencia ao País e estava bloqueado no BIS.
Na colocação original do bônus global de 30 anos conhecido como BR-30, os papéis brasileiros foram vendidos por 93,29% do valor. Portanto, com um pequeno deságio. O custo ficou 6,79% ao ano acima da taxa do bonus do Tesouro americano com prazo de dez anos. O retorno ao investidor ficou em 13,15%. Na abertura para a troca, os papéis já foram vendidos com deságio menor, pois o preço chegou a 98,25%. A taxa acima dos papéis americanos ficou em 6,35% enquanto o retorno para os compradores dos títulos ficou em 12,47%.


