Os 24 envolvidos no desvio de R$ 1,5 bilhão do Banco do Brasil em Floresta, no sertão pernambucano, fraude conhecida como Escândalo da Mandioca, começam a ser julgados hoje, no Tribunal Regional Federal, no Recife. O processo criminal foi aberto em outubro de 1981, há 18 anos. A previsão é de que o julgamento demore 20 horas. Ele será acompanhado pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro.
O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, que investigava o caso, foi assassinado em 1982, ao sair de uma padaria, no bairro de Jardim Atlântico, em Olinda, onde morava. Os seus assassinos foram julgados um ano depois e condenados a 31 anos de prisão cada. Entre eles, o mandante do crime, o ex-major PM José Ferreira dos Anjos, um dos beneficiários da fraude.
Os implicados no Escândalo da Mandioca, funcionários do Banco do Brasil, políticos, advogados, servidores públicos, policiais militares e fazendeiros, foram beneficiados com créditos destinados a pequenos produtores para plantio de mandioca e outras culturas, num esquema comandado pelo então gerente do BB em Floresta, Edmílson Soares Lins.
Além de desviar o dinheiro dos financiamentos irregulares para contas de poupança, por exemplo, muitos deles ainda receberam indenizações do Proagro sob a alegação de que a colheita (nem havia lavouras ) havia sido frustrada em razão da seca. Foi utilizada muita documentação falsa.
O processo tem 76 volumes e mais de 20 mil páginas e já passou pelas mãos de quatro procuradores da República. A acusação mais grave, de peculato (desvio de dinheiro público) prevê pena de 5 a 12 anos de prisão. Mesmo se condenados, os réus poderão recorrer da sentença ao Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal.
Simultaneamente à abertura do processo criminal, em 1981 também foi impetrada, pela Procuradoria da República, uma ação de sequestro de bens. Segundo o procurador regional da República Joaquim Dias, os bens que se encontravam em nome dos envolvidos foram sequestrados e passaram para o domínio da União. Isso não significa que a União tenha sido ressarcida, já que nem todos registraram em seus nomes os bens adquiridos com dinheiro da fraude.
Os advogados de três dos réus tentaram ontem adiar o julgamento. José de Siqueira Silva e José de Siqueira Júnior, que defendem os acusados Djair Novaes, e Juarez Vieira da Cunha, advogado do ex-major PM José Ferreira dos Anjos, entraram com pedidos de adiamento no Tribunal Regional Federal. Eles foram indeferidos pelo relator do processo, José Maria Lucena, que disse não ser possível adiar a sessão porque ‘‘redundaria em descrédito para a imagem do Poder Judiciário’’.
Entre os réus estão Edmílson Soares Lins (ex-gerente do BB em Floresta); José Ferreira dos Anjos (ex-major PM); Vital Cavalcanti Novaes (ex-deputado estadual); Jarbas Salviano Duarte (ex-supervisor de cadastro do BB/Floresta); Eduardo Wanderley Costa (ex-supervisor do setor de Operações do BB); Antônio Oliveira da Silva (agricultor); Adriano Marques de Carvalho; Ana Maria Barros (titular do Cartório do Registro de Imóveis de Floresta); Ancilon Gomes Filho (fazendeiro); Audas Diniz de Carvalho Barros (oficial da PM); Djair Novaes (advogado); Francisco de Assis Leal (comerciante); Heronides C. Ribeiro (topógrafo); Ivanilson B. dos Santos (investigador de cadastro do BB) ;Roberto Batuíra Furtado da Cruz; Palmério Olímpio Maia; Ademar Pereira Brasileiro e Juarez Ferreira da Cunha.

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