Moscou, 20 (AE-AP) - As coisas não irão mudar da noite para o dia, mas o sucesso dos partidos centristas nas eleições parlamentares pode significar que a Rússia está dando outro grande passo para longe de seu passado soviético.
Pela primeira vez desde o colapso soviético em 1991, a maioria dos eleitores optou por partidos moderados, centristas. Trata-se de uma grande novidade em relação às duas eleições pós-soviéticas anteriores, quando os comunistas e os nacionalistas direitistas triunfaram.
A confusão na Rússia, e sua política muitas vezes viciosa poderiam começar a ser transformadas depois da eleição de domingo para a Duma Estatal, a Câmara baixa do Parlamento. É um resultado que poucos imaginavam antes da eleição.
O forte desempenho do Unidade, o principal partido centrista, será visto como um forte endosso ao primeiro-ministro Vladimir Putin e a seu duro posicionamento na guerra da Chechênia. Putin apoiou o Unidade e sua emergência como o maior partido centrista irá impulsionar suas esperanças de conquistar a presidência.
Mas os partidos centristas se saíram bem no geral, sugerindo a influência de fatores mais profundos além da guerra da Chechênia.
A maioria dos russos está cansada do governo ineficiente, de incessantes querelas políticas e da corrupção que impregna a política em quase todos os níveis. Eles também estão cansados de anos de reformas malfeitas e do declínio econômico que jogaram muitos milhões de pessoas na pobreza.
Em tal panorama político, poderia se esperar que os partidos extremistas de direita e esquerda fossem bem votados. Na verdade, os eleitores viram Putin e outros líderes centristas como moderados pragmáticos capazes de limpar a política da Rússia e fazerem mudanças para melhor. A votação foi uma vitória da moderação sobre a ideologia e o extremismo.
Enquanto os partidos centristas foram muito bem na votação por legenda, os candidatos centristas e independentes parecem ter se saído ainda melhor nas disputas por distritos individuais. Eleitores queriam moderados que pretendiam buscar melhoras para suas cidades.
A grande exceção à onda centrista são os comunistas, que provavelmente continuarão sendo o maior partido individual na Duma, mas que não conseguiram aumentar seu apoio além dos seus usuais partidários, na maioria idosos.
Sentindo uma mudança na opinião pública, os comunistas moderaram suas propostas políticas durante a campanha eleitoral, defendendo até mesmo práticas pró-mercado.
Os líderes centristas têm fortes diferenças políticas entre eles, e parece difícil que eles conseguirão formar uma efetiva aliança na Duma. Mas pela primeira vez desde o colapso da União Soviética, a Duma e o governo estarão prontos para trabalhar em conjunto e enfrentar os problemas da Rússia. Reformas básicas como o direito à propriedade rural poderiam agora ser promovidas depois de anos de oposição comunista na Duma.
Isso será uma grande mudança depois de anos de ácidas disputas entre a antiga Duma dominada pelos comunistas e o presidente Boris Yeltsin. O ódio mútuo entre os dois criou um impasse político que tornou impossível definir políticas, enquanto a economia afundava e arrastava para pobreza milhões de pessoas.
Muita coisa pode dar errado durante o mandato de quatro anos da Duma. Os centristas podem se dividir para a eleição presidencial do próximo ano que substituirá Yeltsin. Mas o impasse ideológico da política russa pode ter sido rompido.

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