TRISTE REALIDADE - Brutalização dos pais leva à violência sexual infantil
Mais de 80% dos casos de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes ocorrem pela ação dos pais ou familiares. Os dados são alarmantes e foram apresentados durante os debates do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-Juvenil. De acordo com a psicóloga Karen Richter Pereira dos Santos Romero, especializada em Psicologia Hospitalar, a violência doméstica ocorre com muita intensidade, em patamares preocupantes. A violência sexual doméstica é velada e gera cada vez mais violência. O agressor fica no anonimato. Muitas crianças precisam ser internadas diariamente por conta da brutalização dos pais, disse Karen. A brutalização dos pais é incentivada pelo alcoolismo, desemprego, inversão de papéis (filhos que precisam assumir funções dos pais como limpeza da casa, venda de balas ou outros itens para sustento da família, exploração sexual infantil nas ruas). Os estudos mostram que as mães são as principais agressoras fisicamente. Os pais são os maiores agressores sexuais, seguidos pelos padrastos. Os dados são cada vez mais chocantes, afirmou a psicóloga. O que a gente precisa romper para evitar os casos é com a Síndrome do Segredo. As pessoas precisam denunciar. Temos que fazer com que esse fenômeno da violência sexual deixe de ser algo escondido, obscuro e passe a ser claro. Só podemos tomar medidas legais, quando os casos são denunciados, enfatizou.
Em tese, define-se como qualquer conduta sexual com uma criança levada a cabo por um adulto ou por outra criança mais velha. Às vezes ocorrem outros tipos de abuso sexual que chamam menos atenção, como por exemplo, mostrar os genitais de um adulto a uma criança, incitá-la a ver revistas ou filmes pornográficos, ou utilizar a criança para elaborar material pornográfico ou obsceno.
Os casos de violência registrados pela Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente de Curitiba chegaram a 3.390 em 2006 (54,8% são crianças com idades entre 1 e 9 anos). As violências sexuais chegaram a 14,3% do total de notificações. Em 2007, foram registrados (até abril) 427 casos. As principais ocorrências foram verificadas em crianças com idades entre 5 e 14 anos (49,6%).
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