Trio é preso por fraudar documento de mortos
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segunda-feira, 25 de setembro de 2006
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Federal prendeu ontem em Curitiba, numa operação batizada de Felina, três mulheres que usavam identidades fraudadas de pessoas mortas para fazer compras e tomar empréstimos em bancos. Pelo menos 18 identidades foram rastreadas e a polícia acredita que, com cada uma delas, o trio obtinha de R$ 30 mil a R$ 100 mil.
A advogada Regina Maria de Macedo Coelho, a dentista Ivone Adelina Cavalca, e a estudante de direito Andréa Cristine Goulart Alves iam até cemitérios, pegavam o nome e a data de nascimento de mulheres nos túmulos, pediam a segunda via da certidão de nascimento no cartório onde a pessoa morta foi registrada e, a partir disso, fraudavam os outros documentos. Elas buscavam nomes também nas notas de falecimento publicadas em jornais.
As três mulheres estão sendo investigadas há seis meses. Segundo o superintendente da Polícia Federal no Paraná, Jaber Saadi, o caso começou a partir de uma denúncia de uma pessoa que teve seu nome usado para obter empréstimos nas Caixa Econômica Federal. Por enquanto este foi o único caso de fraude de documentos de pessoas vivas que a polícia descobriu. As 18 identidades encontradas com elas são de pessoas mortas. A polícia apreendeu também cinco veículos, notebooks, móveis, diversos aparelhos de TV, entre outros objetos. As estelionatárias compravam em diversas lojas com os documentos fraudados, pagavam a primeira prestação e sumiam.
O golpe era aplicado no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo. Saadi explicou que, com as identidades em mãos, tiradas nos institutos de identificação dos três estados, a partir da certidão de nascimento, as mulheres conseguiam outros documentos como CPF e comprovante de endereço.
A polícia apurou que elas usavam por anos os documentos fraudados, fazendo assinaturas de linhas telefônicas em endereços falsos ou temporários, abrindo contas em bancos e abrindo crédito em diversas empresas. Até o momento a polícia apurou que elas usavam os documentos somente em benefício próprio. A advogada conseguiu, usando a identidade fraudada de uma engenheira morta, a segunda via da carteira profissional do Crea-PR.
A Justiça autorizou a divulgação das fotos das três mulheres para que possíveis vítimas possam se manifestar. A polícia agora investiga se há outras pessoas, ou algum órgão, envolvidos no crime. Elas vão responder por dez tipos de crimes diferente, entre eles estelionato, falsidade ideológica e formação de quadrilha. A reportagem da Folha pediu à Polícia Federal o nome do advogado das três mulheres, mas foi informada que até o final da tarde de ontem não havia advogado legalmente constituído para defendê-las.


