O fogo continua destruindo a Reserva Biológica do Lago Piratuba, no leste do Amapá, a cerca de 150 km da capital. Ontem seguiram para o local mais 30 bombeiros do Pará, que acabam de passar por um curso de treinamento do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Desde 1º de dezembro já foram detectados 104 focos de fogo dentro da unidade de conservação, pelo sistema de monitoramento por satélite, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Trabalham no combate ao fogo 74 homens, com apoio de barcos, voadeiras (botes de alumínio) e um helicóptero. Ontem também foram contratados mais 15 mateiros locais.

A reserva abriga alta diversidade em espécies pantaneiras, com especial destaque para as aves e, entre elas, para o guará, que já desapareceu de imensos trechos litorâneos, em outras regiões e está na lista de espécies ameaçadas de extinção. ''Cercamos alguns pontos de fogo e estamos trabalhando para evitar que ele se alastre e mais áreas de floresta sejam atingidas'', conta Murilo Pinheiro, gerente-executivo do Ibama Amapá e coordenador do combate ao incêndio.

De acordo com ele, a área queimada é estimada em 4 mil hectares, sendo que a reserva tem um total de 357 mil hectares.

O acesso ao incêndio é muito difícil. O Lago Piratuba fica a duas horas e meia de estrada, mais 9 horas de barco, para quem parte de Macapá. ''Depois, para chegar aos focos de fogo, precisamos abrir trilhas com os mateiros, num terreno todo recortado por pequenos cursos d'água, sobre o qual cresce um capim alto, de folhas cortantes, típico dos ecossistemas de lagos do Amapá, que permanecem inundados na cheia e vulneráveis ao fogo, agora na seca'', conta Pinheiro.

Para complicar, o sol o é uma espécie de turfa, bastante poroso, e sobre ele se forma um ''colchão'' de raízes, folhas e gravetos secos, facilitando a propagação subterrânea do fogo. ''É um incêndio sem chamas, só com muita fumaça e altas temperaturas, que corre por baixo da vegetação, nesta camada de vegetação emaranhada'', acrescenta o gerente do Ibama. O combate vem sendo feito com motobombas e mangueiras de alta pressão. Felizmente a área é cortada por vários ribeirões e igarapés, de onde a água é bombeada.

mockup