Atlanta, 30 (AE-AP) - Segurando firmemente seus revólveres, o homem com bermudas caqui escapuliu de um refrescante saguão de um prédio de escritórios espelhado e recebeu o impacto do forte calor de verão da Geórgia. Ele seguiu para sua van e não se esqueceu de colocar seu cinto de segurança.
Ele dirigiu seu veículo para a estrada Interstate 75, misturando-se ao intenso tráfego da hora do rush no centro de Atlanta ouvindo notícias no rádio sobre sua sangrenta explosão de ódio.
A violência não era algo novo para Mark O. Barton, um químico que virou investidor de alto risco de ações via Internet. Seis anos atrás, sua primeira mulher e sua sogra foram encontradas mortas a pauladas num acampamento. Agora, sua segunda mulher e seus dois filhos estavam mortos na cidade vizinha de Stockbridge
seus corpos ainda não descobertos.
Atrás dele, num brilhante complexo chamado Securities Centre, nove pessoas estavam mortas, uma dúzia mais feridas, e muros estavam manchados de sangue. Ao anoitecer, Barton também estava morto, caído sobre o volante de sua van no estacionamento de um posto de gasolina.
Pelo menos uma pessoa percebeu sinais de problemas na terça-feira, quando Barton apanhou o neto dela para uma reunião de escoteiros.
"Tem alguma coisa estranha com esse homem", Marsha Jean DeFreese lembra ter pensado quando Barton, de 44 anos, um líder de tropas de escoteiros, veio para apanhar seu neto Brian, que era amigo do filho de 11 anos de Barton, Matthew.
A senhora DeFreese tinha vivido próxima à família no ano passado no subúrbio de Atlanta de Morrow, antes de Barton separar de sua segunda mulher, Leigh Ann. A senhora Barton havia mudado para um apartamento em Stockbridge.
Algumas vezes, lembra DeFreese, Barton só voltava com os meninos por volta das 23H, o que ela considerava estranho.
Mesmo assim, era difícil de dizer. Quase seis anos atrás, o sogro de Barton, Bill Spivey, havia considerado Barton "o genro perfeito". Então, sua filha e esposa - a mulher anterior de Barton, Debra, e a mãe dela, Eloise Powell Spivey - foram encontradas mortas a pauladas num acampamento num lago de Alabama no final de semana do Dia do Trabalho (dos EUA).
Barton foi o principal suspeito na época. Ninguém nunca foi preso pelo crime.
Por volta das 15 h (horário local) desta quinta-feira, Barton entrou no escritório da corretora Momentum Securities, no prédio de sete andares Securities Centre na luxuosa vizinhança de Buckhead, de Atlanta. Armado com pistolas 9 mm e calibre 45, ele começou a disparar com as duas mãos. As pessoas pularam para baixo de suas mesas, mas quatro de seus primeiros tiros foram mortais.
Barton, então, atravessou a Rua Piedmont e começou a atirar no escritório do All-Tech Investiment Group, uma corretora de ações no prédio Piedmont Center onde Barton havia sido um cliente.
Antes de partir, mais cinco pessoas estavam mortas. Alguns funcionários jogaram um computador contra a janela, tentando escapar. Outros fugiram correndo; muitos ficaram presos no interior do prédio, esperando serem retirados pela polícia.
Sentada do lado de fora de uma das saídas do prédio, Nell Jones, uma advogada, afirmou: "Ele estava... muito calmo e determinado, sem demonstrar sentimentos". Ele apontou uma pistola para ela e puxou o gatilho à queima-roupa. A bala passou zunindo por sua cabeça.
Joette Castronova, 27 anos, foi uma dos primeiros paramédicos a chegar ao local. Ela logo se viu presa num escritório com um homem de 24 anos que havia sido ferido. "Ele estava com muita dor. Eu apenas segurei sua cabeça e disse a ele que tudo ia ficar bem", relatou Castronova.
Do lado de fora, a polícia de Atlanta isolou a região e começou a efetuar buscas andar por andar. Helicópteros ajudavam na caçada humana, que era transmitida ao vivo para todo o país.
Mas Barton já estava longe.
Muitos quilômetros ao sul, o administrador do complexo de apartamentos Bristol Green, em Stockbridge, estava intrigado com o estranho silêncio na unidade 1.300. O aluguel estava atrasado, e ele pensava no que estaria ocorrendo.
Ele decidiu chamar a polícia às 15h23, menos de 30 minutos depois que o tiroteio havia começado em Atlanta, e permitiu que um policial entrasse no apartamento.
Depois de se deparar com um corpo, o polícia chamou reforços.
Tanto Matthew, 11 anos, e Mychelle Elizabeth, 7 anos, estavam mortos, aparentemente por pancadas na cabeça. Eles estavam deitados em suas camas, com os corpos cobertos e os rostos para fora. Notas escritas a mão estavam ao lado de cada corpo.
A madrasta delas também estava morta, o corpo dentro de um armário e semelhantemente coberto. Ao lado, outra nota escrita a mão. Na sala estava uma carta mais longa, esta aparentemente redigida no computador que Barton tanto gostava.
Barton, enquanto isto, estava do outro lado da cidade, rumando para o norte.
Parando num shopping de um subúrbio do noroeste de Atlanta, ele aproximou-se de uma mulher no estacionamento e tentou retirá-la do veículo, ameaçando atirar nela se ela gritasse. Ele fugiu correndo e alertou a segurança do shopping.
A polícia perseguiu a van verde escura Ford Aerostar de Barton pela Interstate 75. Cerca de dois quilômetros do shopping, Barton saiu da estrada e estacionou num posto, ao lado do setor de lavagem.
A polícia estava logo atrás dele, e cercou seu carro - os policiais com suas armas em punho. Barton permaneceu dentro de seu carro, ainda armado.
Ele encostou as duas pistolas em sua cabeça - uma atrás de cada orelha - e disparou, disse o policial Mark Camp.
Duas horas depois do suicídio, o corpo de Barton ainda estava no posto de gasolina, ainda em sua van, a porta do motorista aberta. Nas proximidades, dúzias de curiosos se acotovelavam tentando ver algo.
Alguns explicaram o que faziam lá - eles queriam dar uma olhada num assassino em massa.

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