Rio, 28 (AE) - O imposto de combate à miséria proposto pelo presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), significará um desconto real de 0,40% nos salários dos contribuintes que ganham acima de R$ 2 mil. O porcentual representa o gasto com um dos três tributos novos previstos no Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza: a contribuição mensal compulsória sobre renda líquida de pessoas físicas.
Segundo o tributarista Ilan Gorin, uma pessoa que ganhe R$ 2 5 mil terá que contribuir R$ 25 por mês, dos quais deduzirá 60% na base do Imposto de Renda. "No final, ele contribuirá com apenas R$ 10", conta. A mesma lógica valerá para quem ganha, por exemplo, R$ 12 mil. O contribuinte pagará R$ 120 por mês de contribuição, mas desse total terá direito de deduzir R$ 72 no IR, deixando para o fundo R$ 48.
"É pouca a contribuição, mas creio que a solução do problema para a pobreza do Brasil não passa pelo aumento da sua carga tributária, que já chega a 33% do PIB", disse Gorin. Segundo ele, o mesmo objetivo poderia ser alcançado se o Congresso fizesse um esforço para aprovar alguns pontos da reforma administrativa que ainda estão pendentes. "A redução do gasto público já seria suficiente para melhorar a arrecadação do País", afirmou.

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