Tribunal turco sentencia ex-premier islâmico por anti-secularismo
DIYARBAKIR, Turquia (AP) - Num duro golpe para seu movimento islâmico que um dia liderou, um tribunal sentenciou hoje (10) o ex- primeiro-ministro da Turquia Necmettin Erbakan a um ano de prisão por ter chamado deputados secularistas de "infiéis" e desafiado leis seculares.
As acusações contra Erbakan, que liderou o movimento islâmico por dois anos, referiam-se a um discurso que Erbakan fez em 1994 durante um comício no sudeste do país.
O ex-premier foi citado por ter chamado deputados pró-seculares de "infiéis" e por ter criticado o fato de os estudantes turcos iniciarem o dia escolar recitando apenas lemas nacionalistas, e não os versos do Alcorão.
O secularismo é firmemente imposto na Turquia e a contestação deste sistema pode ser considerada ilegal sob as leis que proíbem a incitação ao ódio por motivos religiosos.
Em 1998, Erbakan foi proibido de concorrer a cargos públicos durante cinco anos quando sua agremiação, o Partido do Bem-estar, foi fechado por desempenhar atividades contra o secularismo.
Com a condenação desta sexta-feira for mantida, Erbakan poderá ser proibido indefinidamente de retornar à política.
"Dentro de uma semana, vamos apelar do veredicto", declarou o advogado Yasar Gurkan. Erbakan não compareceu à audiência.
A decisão da justiça ocorre no momento em que ocorre uma luta pelo poder no pró-islâmico Partido da Virtude, o sucessor do banido Partido do Bem-estar de Erbakan. No centro da disputa estão simpatizantes da linha tradicional de Erbakan e uma facção mais moderada.
"É extremamente triste sentenciar uma pessoa que serviu este país com amor por mais de 50 anos", afirmou Recai Kutan, líder do Virtude e um amigo íntimo de Erbakan. "É inacreditável. É uma vergonha para a democracia".
Para os críticos, Erbakan, de 72 anos, está dirigindo o Partido da Virtude a partir dos bastidores.





