Moscou, 03 (AE-AP) - Um tribunal regional russo reduziu ilegalmente a dívida de uma empresa de petróleo local com o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (EBRD) revelaram hoje (03) fontes da instituição em Londres. Segundo Noreen Doyle, vice-presidente interina da instituição, um tribunal siberiano autorizou a retirada, pela Chernogorneft, companhia petrolífera russa, de US$ 7 milhões de uma conta vinculada na qual a empresa fazia os depósitos para quitar US$ 35 milhões em créditos concedidos pelo EBRD, reduzindo assim a dívida para US$ 26 milhões.
A instituição financeira já esta recorrendo do decisão e também já entrou em contato com o primeiro-ministro Serguei Stepashin para pedir providências. A companhia petrolífera é parte da holding Sidanko, que é o centro de um caso suspeito de falência. Ao alterar o valor da dívida, a tribunal alterou também o peso do voto dos credores no processo de falência.
A notícia foi divulgada hoje, enquanto as autoridades russas negociavam em Frankfurt a rolagem da dívida com os bancos credores privados, no âmbito do Clube de Londres, e pouco depois da publicação de um relatório de uma empresa ocidental de auditoria concluindo que o Banco Central da Rússia usou as reservas externas e os recursos recebidos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para especular com títulos do tesouro local. A operação desvendada era feita por meio de uma empresa offshore
a Financial Management Co. Ltd., também conhecida pela sigla Fimaco.
O documento da Price WaterhouseCoopers, reproduzido tanto pelo jornal russo Kommersant como pelo Moscow Times, em inglês, não explica como a Fimaco usava os lucros obtidos por meio dessas transações, mas informa que a empresa também utilizou reservas para conceder empréstimos a bancos comerciais da Rússia. O relatório conclui que o BC russo transferiu um total de US$ 1,84 bilhão em recursos, incluída parte do empréstimo recebido do FMI, para a Fimaco e sua subsidiária francesa, o Eurobank.
O ex-presidente do BC russo Serguei Dubinin negou as acusações e explicou que não recebeu nenhum dinheiro do FMI até julho do ano passado. O relatório da auditoria observa, porém, que até julho de 1998, quando o Fundo desembolsou US$ 4,8 bilhões para socorrer o rublo, o BC atuava como intermediário do Ministério das Finanças, recebendo os empréstimos que as instituições multilaterais concediam para o ajuste fiscal do país.

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