Mais de três mil mulheres de todo o mundo vão se reunir em Cidade do Cabo, cidade sul-africana, para ouvir o testemunho de 37 vítimas da guerra, da repressão e da violência doméstica, em países como Argélia, Cuba, Filipinas, Índia e Serra Leoa. A cerimônia está marcada para o Centro Oliver Tambo, em Khayalitsha, no contexto de um ‘‘Tribunal da Mulher’’, organizado pelo Tribunal Mundial contra a Guerra.
Desde 1992, os Tribunais da Mulher se realizam como audiências públicas, celebradas no âmbito de uma conferência que serve como foro de direitos humanos. A primeira-dama da África do Sul, Zanele Mbeki, será uma das juízas do tribunal da Cidade do Cabo, na conferência aberta ontem, Dia Internacional da Mulher.
Uma das participantes do foro é Marjorie Billings, de 55 anos, que trabalha como assistente social em Mitchell’s Plain, um dos bairros da Cidade do Cabo com maior incidência de violência doméstica. Ela ouvirá, em primeira mão, os testemunhos de mulheres da Bósnia que padeceram de violação e limpeza étnica, de mulheres da Palestina encarceradas por suas crenças políticas, e de vítimas da guerra em Serra Leoa.
Lungiswa Memele, da não-governamental Rede do Cabo Ocidental contra a Violência, afirmou que o foro não será uma reunião elitista, só de acadêmicas. ‘‘Ouviremos as histórias de mulheres da Argélia, do Camboja, do México e do Iraque, entre outros países. Podemos aprender com essas experiências.’’ Jane Kennedy, organizadora do Tribunal Mundial, disse que essas 37 mulheres, apesar do número reduzido, representam outras milhões em idêntica situação.

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