Tribunal nega habeas-corpus a estudante suspeito de planejar atentado
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 11 (AE) - A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Alçada de Minas negou hoje habeas-corpus ao estudante Walter França Paixão, de 18 anos, preso em uma delegacia de Belo Horizonte desde dezembro de 1999. Paixão foi detido sob a acusação de porte ilegal de arma e de estar planejando um atentado semelhante ao do estudante de medicina Mateus da Costa Meira. No fim do ano passado, Meira invadiu uma sala do cinema do MorumbiShopping, em São Paulo, armado com uma submetralhadora, e disparou contra a platéia. Três pessoas morreram.
Segundo a assessoria de Imprensa do Tribunal de Alçada, em seu depoimento Paixão disse que desde 1997 vinha colecionando recortes de reportagens sobre violência no Brasil e no mundo. Com o tempo, começou a ter delírios e "flashes na cabeça", nos quais imaginava estar entrando em uma sala de aula, carregando uma espingarda e atirando para todos os lados. O estudante disse que chegou a procurar ajuda de uma colega, mas os delírios persistiram.
No final do ano passado, preocupado, Paixão foi à diretoria da escola municipal Murilo Rubião, na capital, onde cursava a 7ª série, e expôs a situação. Os diretores comunicaram o fato à Delegacia Seccional Leste, que enviou uma equipe de detetives à casa do estudante. No local, foram encontrados uma escopeta calibre 12, recortes de jornais com matérias sobre assassinos e franco-atiradores, tráfico de drogas e rebeliões de presos, e uma agenda na qual estava escrita a frase "Quero reportagem porque no mundo existem pessoas como eu e o Mateus".
Desde o dia 02 de dezembro, Paixão, que confessou fazer uso de drogas, está carceragem da Seccional. O pedido de habeas-corpus foi feito pelo advogado Wellington de Jesus Ferreira, contratado pela família do estudante. No despacho do Tribunal de Alçada, o juiz Sérgio Braga considerou "uma temeridade" a soltura do acusado. De acordo com Braga, "os autos fornecem indicadores de que o paciente precisa urgentemente de tratamento psiquiátrico e psicológico".
"Para que que vença o uso das drogas e afaste a presença desse surto que, ouso afirmar, me parece algo visível em sua situação", afirmou o magistrado. "A sociedade não pode estar exposta a uma situação de risco como a anunciada pelo mesmo (Paixão) em suas declarações", completou. O estudante deve ser submetido a um exame de sanidade mental no dia 28 de março. No último depoimento prestado na Delegacia, Paixão chegou a dizer que mudara de idéia e que não pensava mais em matar as pessoas. E afirmou que gostaria de ver reportagens sobre o próprio caso publicada nos jornais, "para ajudar outras pessoas que têm o mesmo problema".


