Arquivo FolhaAcusaçãoA artista plástica Vanda Pepiliasco: segundo o Ministério Público, ela matou Cleonice de Fátima Rosa no madrugada do dia 10 de julho de 1993O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná reconheceu como legítimo laudo pericial de DNA sobre a morte da empregada doméstica Cleonice de Fátima Rosa. O laudo afirma que os cabelos encontrados nas mãos da doméstica, assassinada em Londrina em 1993, são da artista plástica Vanda de Souza Pepiliasco. Com essa resolução do TJ, o processo contra Vanda Pepiliasco entra nas alegações finais. Agora, o juiz pode acatar ou não as denúncias contra ela. O Ministério Público acusa Vanda de homicídio qualificado. Segundo a Promotoria, ela teria matado a doméstica sem lhe dar chance de defesa.
Cleonice trabalhava para a família Pepiliasco. Seu corpo foi encontrado na madrugada do dia 10 de julho de 1993, na escada do apartamento da família, na rua Goiás, centro de Londrina. A polícia encontrou fios de cabelos nas mãos da doméstica. Para os exames, foram retiradas amostras de cabelos e sangue do marido de Vanda, Lauro Pepiliasco, dos filhos menores do casal, da outra doméstica da família, Luzia Colombo, e do noivo dela, Valdemir da Silva.
Desde a época do crime, o laudo emitido pelo Instituto Gene de Belo Horizonte (MG), realizado pelo médico Sérgio Danilo Pena, estava sendo contestado pelos advogados da acusada. A alegação era que o laudo foi feito por apenas um perito (seriam necessários dois). O médico também não teria assumido compromisso formal perante a Justiça, conforme exige a lei.
A demanda judicial foi levada quatro vezes ao TJ até chegar ao último veredicto. Por duas vezes, os juízes da Comarca de Londrina deram parecer favorável à defesa, para que fossem feitos novos exames de DNA, anulando o que foi feito em Belo Horizonte. Os promotores Solange Novaes Vicentin e Celso Ribas, da 1ª Vara Criminal, apelaram das decisões. O atual promotor da Vara, Janderson Camões de Carvalho Yassaka, manifestou-se contra a defesa da ré junto ao TJ e conseguiu legitimar o laudo.
Desde o início as investigações policiais sobre o caso tiveram erros e contradições. No levantamento do local, não foram recolhidos objetos importantes para o esclarecimento do caso - como a faca que matou a doméstica. Na época do crime, a polícia chegou a levantar a hipótese de suicídio. Essa idéia foi abandonada quando a autópsia constatou que o pescoço da vítima foi quase totalmente seccionado.
Depois de ser descartada a hipótese de suicídio, a polícia tentou incriminar a outra empregada da família, Luzia Colombo. Ela denunciou ter sido torturada para confessar o crime, e está acionando o Estado por danos morais.
O advogado de Vanda Pepiliasco, Antonio Carlos Vianna, foi procurado pela Folha, mas não retornou telefonema.

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