Tribunal julga amanhã crimes no campo
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segunda-feira, 30 de abril de 2001
Israel Reinstein De Curitiba 
Assassinatos, prisões e tortura no campo ocorridos no Paraná serão julgados pelo Tribunal Internacional dos Crimes do Latifúndio, que será instalado hoje às 19 horas, no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná. O evento é promovido por entidades sociais ligadas à reforma agrária e direitos humanos, que protestam contra a violência na gestão do governador Jaime Lerner (PFL). O julgamento simbólico começa amanhã às 8 horas.
Uma das atividades programadas para hoje pelas entidades será a inauguração do Monumento Antônio Tavares Pereira, agricultor morto há um ano, durante confronto entre manifestantes dos sem-terra e Polícia Militar. Ontem, o governo estadual mobilizou-se nos bastidores para contrapor as informações dos manifestantes
As manifestações reúnem entidades contrárias à política do governo Lerner, disse o sindicalista Roberto Von der Osten, membro do Fórum Nacional de Luta. Os atos contra a atual gestão vão reunir sem-terra (contrários à violência no campo), membros de sindicatos (que protestam contra a venda da Copel) e políticos (que vão coletar assinaturas pela CPI da Corrupção).
Caravanas de vários Estados vão se reunir de manhã no km 107 na BR-277, próximo do local onde morreu (em abril do ano passado) Antônio Tavares Pereira. Vieram sem-terra de todo o Paraná, além de caravanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, disse Roberto Baggio, da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Os manifestantes seguirão em caminhada ao km 108, onde será inaugurada a escultura criada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Também será celebrada uma missa pelo bispo auxiliar de Curitiba, Dom Ladislau Biernaski.
No protesto também estarão presentes integrantes do Tribunal Internacional dos Crimes do Latifúndio. Participarão do julgamento importantes personalidades de defesa do direitos humanos, como o prêmio Nobel da Paz, em 1990, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, e o vice-prefeito de São Paulo, o jurista Hélio Bicudo.
Por decisão do governador Jaime Lerner o Executivo não fará sua defesa no tribunal. Ontem, Lerner ligou para o advogado criminalista, Elias Mattar Assad, que aceitou a função de defensor dativa, indicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Porém, após a conversa, Assad voltou atrás. Até o fim da tarde de ontem, os organizadores do evento não haviam sido informados dessa recusa. Mas asseguraram que haverá um defensor do governo estadual.


