Tribunal Internacional vai julgar conflitos agrários no Paraná
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de abril de 2001
Ellen Taborda De Curitiba 
Os conflitos agrários ocorridos no Paraná desde 1998 serão julgados em um Tribunal Internacional no início de maio em Curitiba. Será o quarto tribunal dessa natureza a ser realizado no Brasil. Organizado por instituições de direitos humanos de todo o País, o julgamento terá a presença do Prêmio Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel.
Segundo os organizadores, o tribunal é político, de opinião e não tem validade jurídica. Ele não visa um veredicto. O objetivo é instaurar um debate dentro da sociedade civil, afirma o advogado paraense Marcelo Freitas, do Movimento Nacional de Direitos Humanos.
Entre os crimes de violação aos direitos humanos que serão citados no julgamento, estão as reintegrações de posse feitas em fazendas no Norte e Noroeste do Estado, a desocupação da Praça Nossa Senhora de Salete, em Curitiba, e o confronto entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com policiais militares na BR-277, em Campo Largo, quando um trabalhador sem-terra foi morto.
Para o julgamento que acontece no dia 2 de maio, no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), serão chamadas testemunhas e mostrados vídeos e documentos. O presidente do tribunal será o advogado Hélio Bicudo, membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e vice-prefeito de São Paulo.
Convidado a participar, o governador Jaime Lerner (PFL) mandou dizer que esse é um tribunal de exceção e eu tenho horror a tribunais de exceção. Segundo disse o governador, através de sua assessoria de imprensa, o julgamento será uma encenação com dois objetivos: abalar a imagem internacional de Lerner e encobrir crimes cometidos pelo próprio MST.


