Tribunal eclesiástico dá início à canonização da Irmã Dulce
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Biaggio Talento 
Salvador, 17 (AE) - Com uma missa solene celebrada na Catedral Basílica de Salvador, o arcebispo da capital baiana, dom Geraldo Majella Agnelo, instalou hoje o tribunal eclasiástico. Com isso começa oficialmente o processo que pede a canonização de Irmã Dulce. O tribunal, presidido por d. Geraldo e constituÍdo também por dois padres e duas religiosas, vai apurar e enviar ao Vaticano provas sobre milagres atribuídos à Irmã Dulce. A religiosa, que morreu em 1992, dedicou mais de 50 anos de sua vida ao trabalho com os pobres.
Na primeira etapa do processo, será requerida ao Vaticano a beatificação da religioisa. Depois disso ela poderá ser canonizada. No Brasil, a Igreja reconhece como beatos o Padre Anchieta, o Frei Galvão e a Irmã Paulina. Até o momento, apesar da grande religiosidade do povo brasileiro, nenhum dos três foi canonizado pelo Vaticano. Irmã Dulce pode ser a primeira santa brasileira.
Para garantir o reconhecimento da religiosa como beata, o tribunal eclesiástico precisa comprovar a existência de pelo menos dois milagres atribuídos à Irmã Dulce. A comissão que iniciou a campanha pela canonização da freira já reuniu pelo menos 300 relatos de graças alcançadas por devotos de Irmã Dulce.
Um desses fiéis, o comerciante Jorge Padim, presente à missa de hoje na Catedral Basílica, garantiu ter sido curado de um câncer graças às preces feitas à freira. "Ela é considerada a mãe dos pobres e nessa condição pedi, há alguns anos a cura e consegui", disse. D. Geraldo Majella lembrou que Irmã Dulce é um exemplo "para a Igreja e a comunidade cristã de que para construir uma vida melhor são necessários santos e pessoas que vivam autenticamente sua fé em Cristo".
Obra - A obra social de Irmã Dulce é reconhecida internacionalmente. Com doações ela construiu o Hospital Santo Antonio, um dos maiores de Salvador, que atende gratuitamente mil pacientes por dia. A filosofia no hospital é nunca recusar um paciente. As Obras Sociais de Irmã Dulce mantém um orfanato na cidade de Simões Filhos.
Com o processo da religiosa, o tribunal eclesiástico vai
investigar também o caso de outra freira baiana, a Irmã Lindaura, assassinada com 48 facadas há sete anos, por um interno do Abrigo D.Pedro Segundo, onde ela trabalhava. A comunidade católica baiana quer que Irmã Lindaura seja declarada mártir da Igreja pelo Vaticano.


