Tribunal de Haia não negocia com paramilitar sérvio
Haia, 14 (AE-AP) - O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPI) rejeitou nesta quarta-feira (14) fazer qualquer tipo de negociação com o líder paramilitar sérvio Zeljko Arkan Raznjatovic, indiciado por crimes de guerra.
"Não estamos no negócio de oferecer incentivos aos acusados"
ressaltou o vice-promotor Graham Blewitt. Ele revelou que já houve três tentativas de capturar Arkan desde seu indiciamento secreto, em 1997, mas negou-se a dar detalhes.
A rejeição foi anunciada depois que autoridades da Bélgica revelaram ter sido sondadas por um advogado representando Arkan sobre a possibilidade de conceder asilo ao paramilitar, acusado de atrocidades na Bósnia e na Croácia. As autoridades não informaram se chegou a ser discutida a entrega voluntária de Arkan para julgamento pelo TPI em troca de algum benefício.
Segundo um porta-voz da procuradoria-geral belga, a resposta dada a Arkan foi de que, se Arkan pisar no país, será detido e extraditado para a Alemanha, onde há uma ordem de prisão contra ele por assalto a banco e outros crimes. Também há uma ordem internacional de prisão emitida contra ele pelo TPI em março, quando seu indiciamento foi tornado público.
A sondagem feita pelo líder paramilitar indica que ele não se sente mais seguro na Sérvia, onde está crescendo o descontentamento com o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic e seus aliados.
Hoje, a oposição reuniu 6.000 pessoas em mais um protesto contra Milosevic, desta vez na cidade de Subotica. O oposicionista Partido Democrático anunciou para daqui a 15 dias uma "marcha até Belgrado" pela renúncia do presidente.
Ainda hoje, dirigentes de Montenegro iniciaram em Belgrado conversações em busca de grande autonomia para essa república - que, com a Sérvia, forma a Iugoslávia. Montenegro ameaça buscar a independência se a Constituição iugoslava não for reformada para reduzir os poderes federais.





