Colombo (AE-AP) - Os elefantes em cativeiro têm o direito de viverem felizes, segundo uma ordem judicial que não despertou nenhuma oposição no Sri Lanka, onde os grandes paquidermes são mascotes.
Em uma ordem recente, os juizes da Corte Superior de Colombo disseram que os compradores de elefantes devem demonstrar a vontade e os recursos para mantê-los felizes. Isto significa brindar-lhes com terra suficiente para passear e alimentos suficientes para satisfazer seu apetite, disse Sagarika Rajakarunanayake, a defensora dos animais que deu início ao pleito em representação dos elefantes do país.
Os donos também devem cuidar de sua saúde e dar-lhes muito amor. A ordem judicial também rege as instituições que usam elefantes, disseram os advogados da senhora Rajakarunanayake.
"Todos os amantes dos animais, sobretudo os que admiram esse grandalhões, estão de parabéns", disse Rajakarunanayake, que é presidente do grupo Amigos dos Animais criado em 1993.
O caso começou em fevereiro de 1998, quando o Jardim Zoológico Nacional leiloou Raja, um elefante macho que matou dois treinadores. A presidente do grupo defensor de animais quis protestar, mas foi expulsa do zoológico pelos guardas.
Raja era um dos cinco elefantes que atuavam para o público no zoológico. Em junho de 1997, quando era conduzido até o cenário, Raja tomou o treinador com sua tromba e o lançou contra um poste.
O homem morreu. O elefante foi retirado do espetáculo e parecia sereno. Mas no dia de Natal, Raja pegou outro treinador com sua tromba e o atravessou com uma de suas presas. Ao invés de matá-lo, o zoológico o vendeu por US$ 113 mil dólares a um joalheiro.
"Eu sustento que todos os elefantes que são vendidos devem ser tratados com bondade e cuidado", disse Rajakarunanayake. "Por isso fui à corte". "Os elefantes são inteligentes, compreendem o afeto e o amor, e os especialistas sabem quando um elefante está triste ou feliz", adicionou.
Foi o primeiro caso em que um tribunal do Sri Lanka interveio para proteger os direitos de um elefante. O mesmo zoológico, que foi o acusado no caso, está feliz com a sentença. "Me alegro por a corte ter se envolvido", disse o diretor, Senarath Goonesena.
"Agora nenhum funcionário se atreverá a tomar uma medida arbitrária e isto é bom para nossos elefantes". Segundo a ordem judicial, antes de concretizar uma venda o comprador deve demonstrar a um funcionário oficial que o elefante receberá bons tratos.
Os elefantes são símbolos de riqueza na sociedade do Sri Lanka
e toda cerimônia religiosa inclui uma procissão com estes animais. A senhora Rajakarunanayake estima que de 450 a 500 paquidermes são conservados como mascotes neste país de 18,5 milhões de habitantes.
A ordem judicial "é uma notícia muito boa para os elefantes"
afirmou A.B.A. Goonesekara, diretor do Departamento de Vida Silvestre do governo. O Sri Lanka tem entre 2.500 e 3.000 elefantes em estado selvagem. Até agora nenhuma autoridade cuidava deles.
Muitas vezes os elefantes perdem o controle nas procissões. Vários deles estão acorrentados, não podem se mover nem pastar. "Como todos sabemos, os elefantes são animais grandes e necessitam grandes terrenos para passear", disse Goonesena. "Agora eles terão isso".
Quanto a Raja, foi informado que ele vive bem em Ratnapura, 100 quilômetros a sudeste de Colombo. "Raja teve sorte. Foi comprado por uma boa família", disse Rajakarunanayake.

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