Tribunal acata denúncia de exploração de adolescentes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de dezembro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Tribunal de Justiça (TJ) acatou esta semana a denúncia de exploração sexual e comercial de adolescentes no município de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. O caso estava sendo analisado há mais de um ano pelo TJ por conta do suposto envolvimento de um magistrado nas orgias que aconteciam em duas chácaras do município: uma no distrito do Morro Vermelho e outra em Balsa Nova. Além de um juiz, foram acusadas outras sete pessoas (comerciantes, policiais civis e vereadores) que chegaram a ser identificadas por cinco adolescentes que teriam participado das ''festinhas'' e que relataram em detalhes o que acontecia para o Ministério Público (MP) estadual e para o TJ.
As meninas foram mantidas em abrigos públicos sem o conhecimento das autoridades locais para evitar que elas fossem procuradas e coagidas. Elas relataram em depoimentos que eram procuradas semanalmente por comerciantes para dançar à beira de um lago iluminado por tochas e fazer strip-tease nas festinhas. Muitas vezes, elas mantinham relações sexuais com os convidados em público. Em troca, elas recebiam dinheiro e comida. Todas as meninas eram de família humilde.
O inquérito inicial ouviu 18 pessoas, entre adolescentes e testemunhas. Alguns nomes chegaram a ser divulgados. Entretanto, por envolver adolescentes, o processo corre em segredo de Justiça. A denúncia inicial foi feita pelo Conselho Tutelar de Campo Largo, que repassou as informações para a Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão vinculado ao MP.
Os vereadores do município chegaram a instalar uma CPI para investigar o caso, entretanto as investigações não prosperaram. Eles alegaram dificuldades em ter acesso ao inquérito policial e que não conseguiram localizar as testemunhas do processo.


