Tribos protestam com marcha na Bahia
Agência Folha
De Salvador
Cerca de 500 índios fazem passeata hoje em Salvador contra as comemorações oficiais dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, que acontecem sábado, em Porto Seguro (BA). Caravanas com integrantes de 29 povoados indígenas de todos os Estados do Nordeste chegaram ontem à capital baiana, onde se encontraram com membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e de partidos de oposição. Todos integram o movimento Brasil, outros 500.
Vamos protestar contra os 500 anos de genocídio dos povos indígenas e mostrar que a realidade do índio hoje no Brasil não corresponde com a divulgada pelo governo, afirmou Janduir Vieira Cruz, pertencente à tribo Tuxá, da cidade de Rodelas (BA).
Depois de participar da manifestação de hoje, que deve seguir do bairro Campo Grande para a Praça da Sé, no centro de Salvador, a caravana de índios do Nordeste vai para a aldeia de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, onde acontece, a partir de amanhã, a Conferência Indígena. Segundo os organizadores da conferência, o evento pretende denunciar o massacre sofrido pelos povos indígenas no País depois da chegada dos portugueses.
Mil índios já estão, desde anteontem, em Monte Pascoal (BA), de onde seguem para a conferência. Outros mil, das regiões Sul, Sudeste e Nordeste, são esperados em Santa Cruz Cabrália nos próximos dias. Ainda não há definição quanto à presença do presidente Fernando Henrique Cardoso em Coroa Vermelha, mas o subsecretário da Casa Civil da Presidência da República, Marcelo Cordeiro, afirmou ontem ao governador da Bahia, César Borges (PFL), que há disposição por parte FHC em comparecer ao local.
O presidente também está disposto a receber o documento final da Conferência Indígena, disse o governador baiano.
Anteontem, Cordeiro, procuradores do Ministério Público Federal e representantes do governo estadual se reuniram com a comunidade pataxó em Coroa Vermelha para discutir as medidas que serão adotadas pelas autoridades durante as comemorações dos 500 anos do Descobrimento. Tanto o governo federal como o estadual decidiram que o monumento indígena destruído pela Polícia Militar baiana no último dia 4, em Santa Cruz Cabrália, deverá ser reerguido pelos índios na forma e no lugar que quiserem. O valor da indenização pela invasão da área indígena pela PM no episódio deverá ser discutido amanhã em reunião da comunidade pataxó.Manifestantes de várias tribos pretendem mostrar, na semana que antecede o aniversário dos 500 anos, a realidade do índio brasileiro
Agliberto Lima/Agência EstadoMOBILIZAÇÃOCerca de mil índios montaram acampamento em uma fazenda na divisa com o Parque do Monte Pascoal e discutem a forma como irão protestar neste 22 de abril





