Curitiba - A tribo do índio caingangue Ademir Mendes Alves, 24 anos, morto no domingo passado, descarta a hipótese de morte por disputa de terras. Essa é a avaliação do vice-cacique da reserva, que fica em Palmas (95 quilômetros a leste de Pato Branco), João Rivelino Mendes, e do delegado responsável pelo caso, Renato de Lima. Está marcado para hoje, na delegacia de Palmas, o depoimento do segundo suspeito do assassinato. Alves morreu degolado quando ia do centro de Palmas para a reserva.
No início da semana, o Conselho Indígena Missionário (Cimi) que atende a tribo, enviou comunicado à Fundação Nacional do Indío (Funai) com a suspeita de que a morte estava vinculada à disputa de um pedaço da reserva. Há dez anos a área foi bastante explorada por madeireiros. Um grupo deles continua em uma área de cerca de 300 hectares, que já foi considerada área indígena pela Funai. Outros 2.950 hectares compõem a reserva indígena. A Cimi é vinculada à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O coordenador do Cimi no Sul, Roberto Liebgott, afirmou ontem que o caso precisa ser investigado e disse que agora há várias suspeitas e não apenas em relação aos madeireiros.
Segundo o delegado, o depoimento das testemunhas leva a crer que o assassino era conhecido de Alves. ''Provavelmente os dois estavam bêbados, se desentenderam'', relatou. Ontem Lima ouviu um dos suspeitos, mas descartou a participação dele no crime. O delegado disse que os índios da reserva são um pouco ''exaltados''. Está preso em Palmas Luiz Daniel dos Santos, que no mês passado matou a mulher, também índia, Odila André.
O vice-cacique disse que não há conflitos com o grupo de madeireiros, apesar da área ainda não estar oficialmente demarcada. ''Mas se fosse alguém dos madeireiros que tivesse cometido o assassinato, nós saberíamos'', relatou Mendes. O assistente social da Funai em Chapecó, que atende a região de Palmas, Renato Padilha, disse que depois que a Polícia Civil ouvir os suspeitos, o inquérito é remetido automaticamente para a Polícia Federal.
O cacique da tribo e representantes da Cimi estiveram em Brasília nessa semana para pedir agilidade na demarcação da área ao Ministério da Justiça. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o caso ainda está sob consulta jurídica e não há previsão para publicação da portaria declaratória da área.

mockup